Oposição republicana assume nova Câmara dos Deputados nos EUA

A democrata Nancy Pelosi passou presidência da Casa para John Boehner, republicano do Estado americano de Ohio

BBC Brasil |

selo

Um novo Congresso dos Estados Unidos tomou posse nesta quarta-feira, cerca de dois meses depois de o presidente Barack Obama ter sofrido uma importante derrota nas urnas, perdendo a maioria na Câmara dos Representantes (deputados federais).

Esta será a primeira vez em mais de quatro anos que os oposicionistas do Partido Republicano assumem o controle da Câmara. No Senado, os democratas, do partido de Obama, mantêm uma maioria apertada.

AP
Conhecido por ser chorão, Boehner assume posto antes ocupado por Nancy Pelosi
Na 112ª legislatura em Washington, a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, passou o cargo para John Boehner, um republicano do Estado americano de Ohio.

Segundo o correspondente da BBC em Washington Paul Adams, a posse dos novos parlamentares sinaliza um período de dificuldades para Obama no Congresso, já que os republicanos saíram fortalecidos das últimas eleições e prometem prejudicar propostas de reforma defendidas pelo presidente.

“Nós não podemos ignorar mais nosso problemas. Os eleitores votaram a favor de mudar as coisas, e hoje nós começamos a obedecer suas instruções”, disse Boehner, em discurso ao ser empossado no cargo.

Saúde e gastos

Já na próxima semana, os republicanos pretendem lançar o que está sendo visto como uma medida simbólica para reverter a reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos, considerada uma das principais mudanças implementadas pelo governo Obama desde a posse do presidente, em 2009.

A expectativa é de que a mudança seja aprovada na Câmara dos Representantes, mas não no Senado.
Os líderes republicanos também prometerem reduzir os gastos do governo em até US$ 100 bilhões, modificar as leis tributárias, apertar o cerco contra imigrantes ilegais e investigar atos do governo.

O Partido Republicano conseguiu o controle do Congresso americano em novembro, depois das eleições legislativas de novembro graças, em parte, à popularidade do movimento conservador Tea Party, surgido em 2009.

O movimento – que não é um partido político – reúne centenas de grupos conservadores espalhados pelos Estados Unidos e prega a redução dos gastos do governo e da presença do Estado na economia, além de se opor a praticamente todas as políticas do governo Obama.

Em uma entrevista durante o voo de volta a Washington, depois de suas férias no Havaí, o presidente Obama afirmou que espera que os republicanos reconheçam as obrigações do governo.

"Estou confiante de que eles vão reconhecer que nosso trabalho é governar e garantir que estamos entregando empregos para o povo americano e que estamos criando uma economia competitiva para o século 21, não apenas para esta geração, mas para a próxima", disse.

No entanto, AB Stoddar, colunista do jornal especializado americano The Hill, disse à BBC que os republicanos não deverão colaborar com o governo, como espera Obama. "Temos uma disposição diferente em um Congresso controlado, no lado da Câmara dos Representantes, por republicanos, bem mais conservadores, (com) novos políticos, apoiados pelo Tea Party", obervou. "Eles não parecem dispostos a ajudar o presidente Obama e os democratas em nenhuma de suas iniciativas, então a dinâmica vai mudar dramaticamente", acrescentou. 

    Leia tudo sobre: obamaeuaeleiçõesrepublicanosdemocratascâmara

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG