ONU detecta radiação elevada fora de zona de exclusão no Japão

AIEA recomenda expansão da zona de isolamento em torno de Fukushima; níveis de radiação aumentam ainda mais no mar

BBC Brasil |

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A agência nuclear da ONU (AIEA) recomendou ao Japão aumentar a zona de isolamento em torno da usina de Fukushima Daiichi, onde vazamento nuclear foi detectado após o terremoto e o tsunami que atingiram o país, em 11 de março.

AP
Caminhonetes dirigem em estrada na qual se vê, ao fundo, a usina nuclear de Fukushima, no Japão
O órgão detectou níveis de radiação acima do limite considerado seguro no vilarejo de Iitate, a 40 km da usina, fora da zona de exclusão atualmente em vigor, que compreende um raio de 20 km. Segundo o porta-voz do governo, o secretário-chefe do gabinete, Yukio Edano, o órgão da ONU recomendou ao governo japonês "avaliar cuidadosamente a situação" com base nesses dados.

"Não creio que seja algo de natureza que requeira ação urgente. Mas os altos níveis de radiação no solo estão apontando inevitavelmente para a possibilidade de que no longo prazo a acumulação tenha efeitos na saúde humana", comentou Edano. "Vamos continuar a monitorar o nível de radiação com maior grau de vigilância e agiremos se for necessário."

A organização ambiental Greenpeace, que também mediu níveis elevados de radiação em Iitate, criticou o governo japonês por "dar mais importância à política que à ciência". "Permanecer em Iitate claramente não é seguro, principalmente para as crianças e as mulheres grávidas", afirmou a organização.

Desde o início da crise nuclear, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha vêm recomendando aos seus cidadãos permanecer fora de um raio de até 80 quilômetros da usina de Fukushima Daiichi.

Radiação recorde na água

Os níveis de radiação registrados na água do mar continuam em elevação e atingiram, segundo as medições desta quinta-feira, o recorde de 4.385 vezes o limite legal. Para a agência de segurança nuclear japonesa (Nisa), é um sinal de que os vazamentos na usina nuclear possam estar ocorrendo de forma contínua.

Entretanto, o diretor-geral da agência, Hidehiko Nishiyama, afirmou que os novos níveis recordes de radiação na água não representam um perigo à saúde humana, porque os moradores das áreas mais próximas ao mar já foram retirados.

A pesca é proibida na região e, como a radiação é levada pela água, as autoridades têm diminuído o impacto do vazamento no ecossistema marinho local. Quase 11,5 mil pessoas já foram confirmadas mortas pelo desastre natural.

Três semanas depois da tragédia, mais de 16 mil continuam desaparecidas. Na quarta-feira, as autoridades japonesas anunciaram a decisão de desativar os reatores 1 a 4 da usina de Daiichi. Planos definitivos para os reatores 5 e 6, que foram desligados com segurança, serão anunciados mais adiante.

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