ONU anuncia nova investigação sobre origem de cólera no Haiti

Epidemia deixou mais de 2 mil mortos e pode afetar 650 mil haitianos nos próximos seis meses

BBC Brasil |

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A ONU anunciou nesta sexta-feira que montou um comitê independente para investigar a origem da epidemia de cólera no Haiti, em meio a acusações de que tropas de paz da entidade teriam levado a doença do sul da Ásia para a nação caribenha.

AP
Mulher com sintomas de cólera espera por tratamento em acampamento para desalojados pelo terremoto de janeiro do Haiti (16/12/2010)
O organismo tem negado as acusações, que serviram de estopim para manifestações populares contra as tropas das Nações Unidas.

Mais de 2 mil pessoas morreram e quase 100 mil foram infectadas pelo cólera no Haiti desde o início da epidemia, em outubro. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que uma investigação é necessária para "descobrir as respostas que o povo do Haiti merece".

"Há várias teorias para as origens da epidemia. Nem todos os relatórios chegaram às mesmas conclusões", disse o secretário-geral, em uma entrevista coletiva nesta sexta. "Restam perguntas justas e preocupações legítimas, que requerem as melhores respostas que a ciência puder oferecer", acrescentou.

Segundo o secretário, o comitê será "completamente independente" e terá acesso a dados da ONU. Soldados nepaleses da ONU se tornaram objeto de suspeitas no Haiti, em parte porque o cólera é muito raro no país caribenho, mas endêmico no Nepal.

Estudos

Em novembro, o centro americano para controle de doenças identificou que o tipo de cólera que está afetando os haitianos tem semelhanças com a variação sul-asiática da doença.

Um estudo do epidemiologista Renaud Piarroux, para os governos francês e haitiano, também sugeriu que a doença foi importada do sul da Ásia.

Mas Ban Ki-moon alega que relatórios preliminares da ONU sugerem que os soldados nepaleses não têm responsabilidade no caso. O Exército do Nepal também negou a acusação, mas admitiu que seus soldados não fizeram testes de cólera antes de embarcar ao Haiti.

Estimativas apontam que 650 mil haitianos podem se infectar pelos próximos seis meses.

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