Obama rejeita centavos de petroleira

Presidente dos EUA critica petroleira britânica por querer pagar bilhões a acionistas enquanto moradores afetados têm dificuldades

BBC |

AFP
Pelicanos na ilha de Grand Isle, na Lousiana
Em sua terceira viagem ao Golfo do México desde que começou o vazamento de petróleo na região, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou nesta sexta-feira a petroleira britânica British Petroleum (BP) pelos planos de pagar dividendos bilionários a seus acionistas enquanto os moradores da área afetada pelo desastre enfrentam dificuldades financeiras.

"Não vejo problema em a BP cumprir com suas obrigações legais", disse Obama no Estado da Louisiana, ao referir-se ao pagamento previsto da parcela referente ao segundo trimestre dos dividendos, previstos em US$ 10,5 bilhões no ano.

"O que eu não quero ouvir é que, enquanto eles gastam esse dinheiro todo com seus acionistas e com comerciais na TV, estão dando centavos a pescadores ou pequenos empresários que estão passando dificuldades aqui no Golfo", afirmou o presidente.

A BP está gastando cerca de US$ 50 milhões em propagandas na TV para melhorar sua imagem, apesar de a crise no Golfo ainda estar em andamento.

A empresa britânica resistiu a pressões de parlamentares americanos para que interrompesse o pagamento de dividendos até que os custos totais das operações de limpeza da região fossem conhecidos e disse nesta sexta-feira que vai anunciar em 27 de julho os resultados e dividendos relativos ao segundo trimestre.

Segundo Obama, o governo americano vai acompanhar de perto o problema no Golfo para garantir que a BP cumpra suas promessas e ajude os residentes que sofreram prejuízos "rapidamente e de maneira justa".

'Muito cedo'

Obama disse que ainda é "muito cedo para ser otimista" quanto à última tentativa de conter o vazamento.

Nesta sexta-feira, a BP se mostrou otimista depois que um funil colocado sobre o vazamento começou a canalizar o petróleo para um navio na superfície.

No entanto, o mecanismo estaria capturando até o momento apenas cerca de mil barris por dia, volume pequeno em comparação aos entre 12 mil e 19 mil barris diários que, estima-se, estejam vazando no Golfo.

A BP disse acreditar que a nova técnica vá conseguir capturar até 90% do petróleo nos próximos dias.

Também nesta sexta-feira, sinais de petróleo começaram a aparecer em praias da costa da Flórida. A mancha também já atinge o Estado do Alabama.

Críticas

A viagem de Obama à região é um esforço para rebater as crescentes críticas quanto à maneria como o governo reagiu ao vazamento de petróleo, considerado o pior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.

O presidente cancelou pela segunda vez uma viagem que faria à Austrália e à Indonésia para acompanhar o problema de perto (o primeiro cancelamento havia sido em março, durante a votação da reforma da saúde no Congresso).

A BP diz já ter gasto mais de US$ 1 bilhão nos esforços para conter o vazamento e limpar a área atingida.

A petroleira britânica operava a plataforma Deepwater Horizon quando esta explodiu e afundou, no final de abril.

Desde então, a empresa vem tentando várias estratégias para resolver o problema, mas até agora nenhuma conseguiu interromper o vazamento no mar, localizado a mais de 1,5 mil metros de profundidade.

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