Obama descarta comparações entre México e Colômbia

Secretária de Estado Hillary Clinton comparou onda de violência no México com a Colômbia de "20 anos atrás"

BBC Brasil |

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, negou que o aumento da violência está fazendo com que o México fique cada vez mais parecido com a Colômbia de 20 anos atrás. A declaração desta quinta-feira feita por Obama a um jornal americano é uma aparente contradição à declaração da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, na quarta-feira, na qual ela afirmou que ações dos cartéis de drogas no México e outros países da América Latina indicam que os traficantes promovem uma "insurgência" na região, desafiando os governos locais.

Hillary também comparou a situação mexicana com a da Colômbia. "Está parecendo mais e mais com o que a Colômbia era 20 anos atrás, onde os narcotraficantes controlavam certas partes do país", afirmou a secretária de Estado.

No entanto, em uma entrevista ao jornal americano em idioma espanhol La Opinión nesta quinta, Obama afirmou que o México é uma democracia progressista. "O México é uma democracia ampla e progressista, com uma economia crescente, como consequência, não pode se comparar o que está acontecendo no México com o que ocorreu na Colômbia há 20 anos", disse o presidente em Washington.

Aliado

Segundo o repórter da BBC James Read, as observações de Hillary Clinton causaram desconforto no governo mexicano, que já declarou que a luta contra os cartéis de tráfico de drogas é uma das suas prioridades. No mesmo dia em que Hillary fez os comentários, o porta-voz do gabinete de segurança nacional, Alejandro Poiré, afirmou que "todos os esforços do Estado mexicano são para lutar contra os criminosos" e acrescentou que "a colaboração com os Estados Unidos é uma parte integral de nossa estratégia" para enfrentar os cartéis de drogas.

"Não dividimos a mesma percepção, devido ao fato de que existe uma grande diferença entre o que a Colômbia enfrentou naquela época e o que estamos enfrentando agora", afirmou. Os comentários de Obama para o La Opinión parecem ter como objetivo amenizar o mal-estar causado a um aliado muito importante na luta dos Estados Unidos contra as drogas.

Segundo Read, a entrevista de Obama parece ter atingido seu objetivo, já que seus comentários foram reproduzidos imediatamente pelos principais meios de comunicação do México. Nos Estados Unidos, há uma crescente preocupação de que a violência relacionada ao narcotráfico no México acabe atravessando a fronteira. A fronteira entre os dois países é rota de tráfico de drogas, armas e pessoas.

No mês passado, foi iniciado o envio de 1,2 mil homens da Guarda Nacional americana para a fronteira entre Estados Unidos e México, com o objetivo de reforçar a segurança na região. Calcula-se que mais de 28 mil pessoas tenham morrido vítimas da violência relacionada ao tráfico de drogas no México desde que o presidente Felipe Calderón assumiu o poder, no fim de 2006, e determinou o envio do Exército para combater crimes relacionados ao narcotráfico.

Em um dos últimos episódios, 72 imigrantes, entre eles pelo menos dois brasileiros, foram assassinados no Estado de Tamaulipas, na fronteira com os Estados Unidos. Integrantes do cartel de drogas Los Zetas são acusados do crime.

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