'O teto começou a cair', relata testemunha de atentado em Bogotá

Jornalista da rádio Caracol conta que explosão causou "tensão" e "angústia"

BBC Brasil |

selo

O atentado com um carro-bomba que feriu ao menos 18 pessoas no centro financeiro de Bogotá, nesta quinta-feira, fez com que o teto da cabine de transmissão da rádio Caracol, uma das maiores da Colômbia, desmoronasse sobre alguns funcionários, relatou à BBC Brasil Érika Fontalvo, editora de Internacional da emissora.

A jornalista conta que ela e outros funcionários da rádio se preparavam para iniciar as transmissões do dia com o programa Hoy por Hoy, que vai ao ar às 6h (horário local, 7h em Brasília), quando sentiram o impacto da explosão.

"Estávamos prontos para começar (a transmissão) quando sentimos a explosão que nos deixou aterrados. O teto da cabine, de estrutura metálica, começou a cair sobre nossas cabeças. Foi um momento de muita tensão, de muita angústia", afirmou Fontalvo. "Foi uma explosão muito forte, tremenda, que moveu as estruturas do edifício", acrescentou.

Após a explosão, Fontalvo assumiu o controle da cabine junto com outros três colegas, enquanto os demais eram retirados do edifício pelas autoridades de segurança. "Decidimos entrar no ar mesmo assim, em nenhum momento deixamos de transmitir", afirmou.

Ao menos outros 20 profissionais estavam na emissora no momento da explosão.

Explosão

O apresentador do programa Hoy por Hoy, Darío Arizmendi, deu início às transmissões narrando a explosão. "Atenção, acaba de ocorrer uma gravíssima explosão aqui no estúdio (...) caiu boa parte do teto da primeira emissora da América Latina (...) neste momento há certo pânico", narrou Arizmendi. "Acabamos de sentir uma tremenda explosão".

A jornalista Erika Fontalvo afirma que ela e seus colegas só se deram conta de que se tratava de um atentado com carro-bomba depois da chegada das autoridades, que encontraram vestígios da explosão e do veículo utilizado no atentado.

"Foi um momento muito forte, de muita angústia, mas não pensávamos que tinha sido um carro-bomba. Pensei que poderia ter havido alguma explosão nos andares superiores", afirmou Fontalvo. A jornalista disse acreditar que foi um atentado contra a emissora.

O mesmo afirmou o procurador-geral da República, Guillermo Mendoza Diago. "Isso (o atentado) foi dirigido contra a emissora (Caracol) e (pode ser visto) como um ato de intimidação contra os meios de comunicação", afirmou Diago à imprensa colombiana.

Responsáveis

Erika Fontalvo diz que não é a primeira vez que a emissora e jornalistas colombianos são alvos do que chamou de "grupos terroristas". A seu ver, o ataque ocorreu devido à difusão de informações relacionadas com atos de violência liderados por grupos armados colombianos.

"Nunca negamos nossa responsabilidade, nossa obrigação de contar os fatos, tal como ocorrem e apontando os responsáveis, essas organizações terroristas que tanto mal fazem ao país", afirmou.

As autoridades colombianas ainda não souberam apontar os responsáveis pelo atentado. Funcionários da Caracol tampouco se arriscaram a apontar os autores do ataque. "Não podemos atribuir este fato a nenhuma organização em particular", afirmou Fontalvo.

De acordo com as autoridades colombianas, pelo menos 50 kg de explosivos foram colocados no carro-bomba. No total, nove pessoas sofreram ferimentos leves.

A explosão ocorreu menos de uma semana após a posse do novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que pediu tranquilidade aos moradores de Bogotá e que continuem desempenhando suas atividades normalmente. "Nós vamos continuar combatendo o terrorismo com tudo que temos", afirmou.

    Leia tudo sobre: colômbiaatentadoexplosão

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG