A nuvem de cinzas resultante da segunda erupção do Eyjafjallajkull, que chegou ao espaço aéreo português fechou dois aeroportos no domingo - Porto e Ponta Delgada, nos Açores - e impediu centenas de voos. Autoridades portuguesa dizem esperar que o aeroporto da cidade do Porto seja aberto na segunda-feira.

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Até às 18 horas de domingo (horário local 14h de Brasília), tinham sido cancelados 308 voos no país e, como quando da primeira nuvem do vulcão há três semanas, os aeroportos ficaram lotados. Dos quase dez voos diários entre Brasil e Portugal, país europeu com maior número de voos para o território nacional, 65 por semana, apenas os que se dirigiam ao Porto foram afetados, com os aviões desviados para Lisboa. Reclamações Muitos brasileiros perderam suas conexões para outros destinos europeus, porque há outros aeroportos fechados ou os voos deveriam cruzar espaços aéreos atingidos pela nuvem de cinzas. "Estou há mais de duas horas nesta fila e não sei quando vou ser atendido", conta o aposentado Alberto Rodrigues, de 90 anos, sentado em cima da mala colocada sobre o carrinho do aeroporto internacional de Lisboa, com um livro de sudoku na mão. A caminho de Londres com a esposa, onde ia visitar a filha, seu voo foi desviado para a capital portuguesa e estava sem saber quando ia conseguir embarcar. Na sua frente, cerca de 70 pessoas aguardavam o atendimento. De vez em quando, as reações contra a falta de resposta da TAP acabavam em gritos contra os funcionários. "Estou aqui a duas horas e meia e minha filha está com febre", relatou Márcia Aires, que segurava a filha Mariana de dois anos e nariz correndo no colo. "Eu iria ao o Porto e dali ia para Paris, em férias. Eles mandaram para a fila e não tomaram nenhuma atitude". Questionado pela BBC sobre se idosos e mães com crianças de colo não teriam prioridade, o funcionário da TAP afirmou que havia apenas uma pessoa atendendo e tinham que estar na fila. Para a paulista Rosana Antunes, que mora há quase 20 anos na Itália, o atraso do voo fez com que perdesse uma festa de família, longe dos três filhos. "Eu perguntei no Brasil se havia algum problema por causa do vulcão e eles disseram que estava tudo bem, podia viajar. Acabei perdendo o dia das mães, devia chegar em Milão às 11 da manhã. Eu poderia ficar mais uns dias com meus pais no Brasil", reclama. Segundo Rosana, o problema é a forma como a empresa aérea tratou os passageiros. "Poderiam ter colocado os passageiros que estão esperando tanto tempo numa sala de espera, dar um pouco de água para as pessoas. Teve um senhor com cadeira de rodas aqui na fila que ficou mais de uma hora no meio da fila até ser atendido. Mas eles nem dão uma satisfação". A advogada Juliana Médici, de férias a caminho de Milão, também criticou a falta de capacidade de resposta à situação gerada no aeroporto. "Eu sei que não é culpa deles, mas do vulcão. Mas eles tiveram isso há pouco tempo, poderiam ter organizado um pouco melhor".

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