Novo barco tentará furar bloqueio a Gaza apesar de alerta de Israel

Embarcação irlandesa fazia parte da frota atacada na segunda-feira; entre seus passageiros está a Nobel da Paz Mairead Maguire

BBC Brasil |

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Um barco irlandês se encontra no Mar Mediterrâneo a caminho da costa de Gaza, com a intenção de tentar furar o bloqueio de Israel e levar ajuda à população local, apesar dos alertas das forças de segurança israelenses de que ele poderia ser interceptado. O barco irlandês fazia parte da frota que foi atacada por soldados israelenses no fim de semana, mas tinha ficado para trás por causa de problemas mecânicos.

AP
Mavi Marmara, navio de bandeira turca que foi invadido na madrugada de segunda-feira, é escoltado até porto israelense (31/05/2010)
O barco, comprado por ativistas pró-palestinos, leva o nome de Rachel Corrie, americana de 23 anos morta em Gaza em 2003 ao tentar impedir uma escavadeira de demolir uma casa palestina. Entre seus passageiros está a ganhadora do prêmio Nobel da Paz Mairead Maguire.

Em entrevista à BBC Brasil, Mary Hughes, da ONG Free Gaza, disse que há 10 pessoas a bordo do barco e que ele se encontrava, pela manhã desta quarta-feira, perto da costa grega. Apesar dos alertas israelenses, o grupo espera que Israel permita sua entrada na Faixa de Gaza com segurança.

"Espero que nós consigamos chegar a Gaza e fornecer ajuda humanitária", disse Mairead Maguire em uma entrevista à BBC na terça-feira. "Os portos (em Gaza) permaneceram fechados por mais de 40 anos. Não é nem muito o fato de não conseguirmos entrar, é que o povo de Gaza não consegue sair", afirmou a pacifista da Irlanda da Norte, que dividiu o prêmio Nobel em 1976 com Betty Williams pelos esforços de ambas na busca por uma solução pacífica para os conflitos na província britânica. "Você tem 1,5 milhão de pessoas, é o tamanho da população da Irlanda do Norte isolada completamente do mundo por esse cerco desumano e ilegal de Gaza."

Apelo irlandês

O primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, fez um apelo para que Israel deixe o barco cumprir sua missão. "O governo requisitou formalmente ao governo israelense que permita que o barco de propriedade irlandesa complete sua jornada desimpedido e descarregue sua carga humanitária em Gaza", afirmou Cowen ao Parlamento em Dublin.

Em Israel, o presidente do comitê de Relações Exteriores e Defesa do Parlamento israelense, Tzachi Hanegbi, disse que seu país "não pode deixá-los (os barcos) borrar a linha vermelha que Israel definiu". Um oficial das Forças de Defesa de Israel disse ao jornal israelense Haaretz que o novo barco também seria interceptado, o que poderia resultar em confrontos parecidos com os registrados na última segunda-feira. "Nós estamos prontos para o Rachel Corrie", afirmou o israelense.

Deportação

Um grupo de 123 ativistas que tinham sido detidos na operação militar da segunda-feira foram levados de ônibus para a Jordânia, onde uma multidão de simpatizantes os aguardava. Eles foram recebidos com palmas e cantoria depois de 10 horas de espera, informou o correspondente da BBC na fronteira, Dale Gavlak. Outros 50 ativistas turcos foram libertados da prisão e também serão deportados, informaram as autoridades oficiais. Centenas de ativistas deverão ser deportados até amanhã.

Ao todo, mais de 670 pessoas tinham sido presas na ação. O ataque das forças israelenses à frota, que pretendia levar ajuda humanitária a Gaza, deixou nove ativistas mortos e provocou reações negativas de boa parte da comunidade internacional. O governo de Israel diz que as tropas israelenses agiram em legítima defesa no episódio, depois de serem atacadas. Os ativistas insistem que os soldados israelenses abriram fogo sem motivo e começaram a atirar ainda dos helicópteros que sobrevoavam as embarcações.

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