No Irã, Amorim volta a rejeitar sanções contra país

Chanceler brasileiro, que está no país para preparar a visita do presidente Lula, defendeu diálogo sobre programa nuclear iraniano

BBC Brasil |

AFP
Celso Amorim com presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani em Teerã
Em visita à capital iraniana, Teerã, o chanceler Celso Amorim voltou a criticar nesta segunda-feira a ampliação das sanções contra o Irã como forma de pressionar o país a ser mais transparente sobre seu programa nuclear.

"A única solução para a questão nuclear do Irã é por meio do diálogo e das negociações", afirmou Amorim, segundo a agência oficial de notícias do Irã, a Irna. "As sanções são um movimento negativo que não produzirão algo específico", completou.

Segundo a agência, o chanceler brasileiro também voltou a defender o direito de o Irã adquirir o uso pacífico de energia atômica.

Conselho de Segurança

Em Teerã, Amorim encontrou-se com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Majlis Ali Larijani, que também criticou a possibilidade de sanções. "A linguagem de sanções e resoluções não é a apropriada para o diálogo e a interação com a República do Irã", disse Larijani.

A visita de dois dias de Amorim ao Irã tem o objetivo de preparar o terreno para a viagem do presidente Lula ao país, programada para meados de maio.

Como membro temporário do Conselho de Segurança (CS) da ONU, o Brasil ainda não se pronunciou se votaria a favor ou contra possíveis novas sanções ao Irã.

Para ser aprovada, uma resolução precisa ser votada por pelo menos nove das 15 nações integrantes do CS, desde que nenhum dos cinco países com direito a veto (EUA, Rússia, China, França e Grã-Bretanha) pronuncie-se contra.

A China vem insistindo que o diálogo e não sanções seria a melhor forma de lidar com a questão. Nações ocidentais como os Estados Unidos e vários países europeus acusam o Irã de usar seu programa nuclear como fachada para a fabricação de bombas, alegação negada pelo governo iraniano.

No domingo, Amorim disse que "não considera que o Irã esteja perto de construir uma bomba" nuclear. "Nos chame de ingênuos, mas acredito que aqueles que acreditam em tudo o que o serviço secreto americano afirma são muito mais ingênuos. Olhe o caso do Iraque", disse ele.

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