Néstor Kirchner é eleito secretário-geral da Unasul

O ex-presidente da Argentina Nestor Kirchner foi eleito nesta terça-feira o primeiro secretário-geral da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), durante reunião dos presidentes e representantes dos 12 países da Unasul na Argentina. "A indicação do Kirchner é a consolidação de mais uma etapa no fortalecimento da Unasul", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro.

BBC Brasil |

O ex-presidente da Argentina Nestor Kirchner foi eleito nesta terça-feira o primeiro secretário-geral da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), durante reunião dos presidentes e representantes dos 12 países da Unasul na Argentina. "A indicação do Kirchner é a consolidação de mais uma etapa no fortalecimento da Unasul", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro. "Acho que ele está 100% apto para ser um extraordinário secretário-geral da Unasul. Ele conhece o continente." A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, mulher do ex-presidente, optou pela abstenção, mas é apontada por diferentes analistas como principal cabo eleitoral na campanha que apresentou Kirchner como o único candidato ao cargo. Uruguai A maior expectativa era em torno do voto do Uruguai, que em 2008, quando o presidente do país era Tabaré Vázquez, vetou o nome do ex-líder argentino para o cargo da Unasul. O atual presidente do país, José "Pepe" Mujica, disse que decidiu apoiar "o consenso dos países da América Latina, por aspirar progredir com os povos da região". "Começando pela Argentina, país com o qual nos vemos mais do que irmãos. Mas apostamos na boa-fé do povo argentino." Essa declaração de Mujica foi interpretada pela imprensa local como um pedido para que os manifestantes argentinos que há quatro anos bloqueiam o trânsito de uma estrada entre os dois países suspendam a medida. O protesto é contra a construção de uma fábrica de celulose na fronteira entre os dois países. Nesta terça-feira, policiais impediram a chegada de um grupo de manifestantes que pretendia protestar contra a fábrica na entrada da reunião da Unasul. 'União após 200 anos' Os presidentes do Equador, Rafael Correa, que ocupa a Presidência temporária do bloco, e Evo Morales, da Bolívia, destacaram a necessidade de que os países da Unasul ratifiquem, em seus Congressos nacionais, esta criação institucional. "Até agora somente quatro dos 12 países ratificaram o nascimento da Unasul. E este é um assunto importante", disse Correa. "A Bolívia foi o primeiro país a ratificar a medida no Congresso. Após 200 anos, estamos nos unindo, demos importância a esta união", disse Morales. O professor chileno de ciências políticas e internacionais da Universidade do Chile, Guillermo Holzman, disse que o funcionamento do bloco depende "muito mais do presidente Lula e do Brasil do que da nomeação de Kirchner como secretário-geral". Na opinião dele, Kirchner aplicará um "pensamento complementar ao do líder venezuelano, Hugo Chávez, no bloco". Para o analista argentino Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, é preciso ver como será o comportamento de Kirchner, faltando pouco mais de um ano para as eleições presidenciais na Argentina. Paraguai Os presidentes da Unasul discutem ainda a situação no Paraguai, onde cinco dos 17 departamentos (Estados) estão sob estado de exceção, declarado pelo presidente Fernando Lugo, e ainda a denominada "Lei Arizona", sobre imigrantes no Estado americano. Outro assunto será a relação com o novo governo de Honduras. O Brasil, como afirmou o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, defende que o presidente deposto Manuel Zelaya possa retornar ao país e exercer sua carreira política. Esta foi a primeira vez que os presidentes do Uruguai e do Chile, Sebastián Piñera, participaram do encontro.

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