'Negócios são negócios', diz Amorim antes de reunião com golpista

Ministro das Relações Exteriores do Brasil nega que governo esteja promovendo uma ditadura

BBC Brasil |

selo

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu nesta segunda-feira que o Brasil amplie as relações com a Guiné Equatorial, país acusado de graves violações de direitos humanos, argumentando que “negócios são negócios”.

Amorim falou a jornalistas antes do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente Obiang Nguema - que tomou o poder do pequeno país há 31 anos por meio de um golpe de Estado, para discutir a ampliação do comércio bilateral e oportunidades de investimento brasileiro na Guiné Equatorial.

RODOLFO STUCKERT
Presidente Lula conversa com Obiang Nguema, que tomou o poder de Guiné Equatorial há 31 anos por meio de um golpe de Estado

“Negócios são negócios. Nós estamos em um continente em que os países ficaram independentes há pouco tempo. Isso é uma evolução que tem a ver com o social, o político” disse o ministro. “O isolamento e a distância só fazem eles dependerem mais de outros e talvez até ficarem mais longe do que nós desejamos”, acrescentou.

Amorim negou que o governo brasileiro esteja promovendo a ditadura. “Quem resolve os problemas de um país é o povo de cada país”.

Corrupção

Lula está na capital do país, Malabo, para ampliar os negócios com a Guiné Equatorial. Mas a visita vem sendo duramente criticada por grupos de defesa de direitos humanos. Para a Human Rights Watch, o presidente Obiang Nguema é um dos líderes mais criticados por corrupção e violação aos direitos humanos do mundo.

Amorim disse que a aproximação com o Brasil e com o grupo de países de língua portuguesa CPLP, que exigem padrões mínimos de democracia, “vai ajudar que estas práticas que nós apreciamos sejam também adotadas pelos outros”.

Para o ministro o exemplo “tem muito mais força que a pregação moralista”. Desde que descobriu imensas reservas de petróleo nos anos 90, a Guiné Equatorial tem sido alvo de uma reaproximação com países ocidentais como a Espanha e os Estados Unidos.

A petroleira americana Exxon Mobil é a grande investidora no setor de petróleo. A China também tem grandes investimentos em gás natural.

A delegação empresarial que acompanha o presidente é marcadamente focada em infraestrutura, de olho na construção de estradas e de uma seção mais moderna da capital, Malabo 2, ao lado da antiga Malabo, e no levantamento de uma infraestrutura para a Copa da África de 2012, que será co-sediada pela Guiné Equatorial e pelo Gabão.

“Temos de imaginar que esta é uma área importante, rica em petróleo, com grandes possibilidades de construção. Há 20 anos, esse era um dos países mais pobres do mundo. Melhorando socialmente, melhora politicamente”, disse Amorim.

Entidades de direitos humanos dizem que a riqueza petroleira não melhorou os indicadores sociais do país, cuja população de 600 mil habitantes é composta de 60% de pobres, segundo estimativas.

Em vez disso, acusam os críticos, o dinheiro obtido com a exploração de petróleo teria ajudado o presidente Ngema a engrossar sua fortuna, estimada em US$ 600 milhões, segundo cálculos da revista Forbes.

    Leia tudo sobre: LulaGuiné EquatorialditaduraCelso Amorim

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG