Navio naufragado atrai enxurrada de turistas à ilha italiana

Curiosos vão a Giglio, onde aconteceu acidente com o Costa Concordia, e são apelidados de 'turistas do horror'

BBC Brasil |

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O desastre com o navio Costa Concordia levou a um inchaço de turistas nas proximidades de Porto Santo Stefano, na costa do Argentário, em frente à ilhota onde o incidente ocorreu, informa a imprensa italiana.

De 130 turistas na semana passada, a pequena ilha de Giglio, em cuja costa o acidente aconteceu, acomoda hoje 1.080 turistas – sem contar as equipes de resgate. Os turistas que querem ver o impressionante navio parcialmente submergido em frente a Giglio já estão sendo chamados de "turistas do horror".

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Sentada em restaurante de Giglio, na Itália, turista observa navio naufragado (21/01)

"Nunca vi uma coisa do gênero em um mês de inverno", disse ao site Leggo.it Libero Schiaffino, um dos responsáveis pela vende de bilhetes para os dois barcos que fazem a travessia entre o continente e a ilha.

As duas empresas, Torremar e Maregiglio, tiveram de controlar a venda de bilhetes para dar prioridade total às equipes de resgate e evitar que os turistas não possam voltar da ilha por falta de barcos para trazê-los de volta à costa.

Porto Stefano parecia que "estava sob uma invasão no domingo de manhã", comparou o site, que considerou o passatempo "mórbido".

Treze pessoas morreram no incidente e outras 24 continuam desaparecidas.

Curiosidade

Em uma reportagem de TV da agência italiana TM News, turistas estrangeiros e nativos se reúnem no porto da pequena cidade para ver a movimentação no local.

"Viemos aqui para ver o que aconteceu, só de curiosidade", afirma uma turista estrangeira. "Fiquei impressionado com o tamanho do navio. Estou boquiaberto", conta um italiano.

Uma vez que a perspectiva é de que o Costa Concordia permaneça meses no mesmo local, os moradores de Porto Stefano já estão se preparando para um período sob os refletores.

A presença é não apenas de turistas, mas de repórteres, cinegrafistas e profissionais da mídia encarregados de transmitir globalmente os desdobramentos do desastre com o navio. "Esse é um evento mundial", diz um morador. "Não só da navegação italiana."

Outros, entretanto, rejeitam as atenções que recaíram sobre o povoado. Em entrevista à TM News, o padre Don Lorenzo, que dirige a paróquia de Giglio, lamentou que os parentes de vítimas precisem de escolta policial até para ir a missa sem dar declarações para a imprensa.

"Esse mundo não é normal. Essa situação não é normal. A escolta policial não é normal. Nada é normal. Mas, bem, é compreensível", disse.

AP
Um homem fotografa objetos que estavam dentro do navio Costa Concordia na Ilha de Giglio, na italiana Toscana (22/01)

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