Não há provas de envolvimento de Israel em assassinato, diz chanceler

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, disse nesta segunda-feira a chanceleres europeus que não há provas do envolvimento do serviço de inteligência israelense, o Mossad, no assassinato do líder do Hamas Mahmoud Al-Mabhouh em Dubai no dia 20 de janeiro.

BBC Brasil |

Lieberman, que participou de uma conferência de chanceleres da União Europeia em Bruxelas, também disse que "não sabe" quem é o responsável pelo assassinato e que os jornalistas presentes no local "assistem demais aos filmes de James Bond" por cogitarem um possível envolvimento do Mossad no incidente.

Os ministros das Relações Exteriores da Grã Bretanha e da Irlanda, David Miliband e Michael Martin, pediram ao chanceler israelense esclarecimentos sobre a falsificação de passaportes de seus países, que foram utilizados, segundo a policia do Dubai, pelos autores do assassinato.

A União Europeia condenou a falsificação dos passaportes sem mencionar Israel.

Investigação

Os chanceleres europeus publicaram um comunicado denunciando "em termos duros" a utilização de passaportes falsos da União Europeia pelos "envolvidos na operação".

Imagens divulgadas por Dubai identificam os suspeitos no assassinato de membro do Hamas
Imagens identificam os suspeitos no assassinato de membro do Hamas


No entanto, o chanceler israelense manteve a linha de ambiguidade sobre o assunto e ao final da conferência disse que "se houvesse" alguma informação vinculando Israel ao incidente, "iríamos nos referir a esse assunto".

No entanto, nesta segunda-feira, o jornal com a maior tiragem de Israel, o Yediot Ahronot, publicou uma investigação sobre um dos nomes acusados por Dubai de participação no assassinato, que pode indicar o envolvimento concreto de Israel no incidente.

Segundo o jornal, um homem que se apresentou como Michael Bodenhaimer, nome usado pelo agente que utilizou o passaporte alemão, teria alugado um escritório fictício em um edifício na cidade de Hertzlyia, ao norte de Tel Aviv.

O jornal afirma que uma placa com esse nome teria sido "misteriosamente" retirada do prédio logo depois da revelação da lista de suspeitos pelas autoridades de Dubai.

O suposto agente teria alugado o escritório por intermédio de uma empresa que fornece "escritórios virtuais" para pessoas que querem criar uma imagem de ter uma "empresa séria".

Suspeitas

O verdadeiro Michael Bodenhaimer, que é um rabino ultraortodoxo, é um dos sete cidadãos israelenses que afirmam que suas identidades foram roubadas pelos autores do assassinato.

O Yediot Ahronot também revela que o suposto Bodenheimer teria obtido o passaporte alemão apresentando documentos falsos às autoridades alemãs e alegando que seus pais nasceram na Alemanha.

De acordo com o jornal ele conseguiu retirar o passaporte alemão em dois dias, o que seria um tempo recorde para tal procedimento que normalmente demora pelo menos algumas semanas.

A rápida expedição do passaporte alemão poderia levantar, segundo o jornal, questões sobre uma possível colaboração das autoridades alemãs com o Mossad.

Leia também:

Leia mais sobre Hamas

    Leia tudo sobre: dubaihamasisrael

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG