Na Rússia, Lula critica Conselho da ONU e pede paz no Afeganistão

Presidente defende reforma do órgão por considerar que 'mapa do mundo mudou'

BBC Brasil |

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Reuters
Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, abraça o presidente Lula durante encontro em Moscou
A possibilidade de um acordo com o Irã sobre seu programa nuclear acabou dominando a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Moscou nesta sexta-feira, mas outros assuntos de cunho internacional também vieram à tona.

Ao lado do presidente russo, Dmitri Medvedev, Lula não deixou de fazer críticas à atual formação do Conselho de Segurança da ONU, do qual a Rússia faz parte.

"Todo mundo sabe que temos divergências com o Conselho porque achamos que ele representa a geopolítica de 1945", disse Lula. "O mapa do mundo mudou. Quem tinha mais força política já não tem", acrescentou.

Afeganistão

Os membros permanentes do Conselho de Segurança vêm discutindo a necessidade de se impor uma nova rodada de sanções econômicas contra o Irã, em função de o país estar supostamente desenvolvendo um programa nuclear para fins militares, alegação que os líderes iranianos negam.

Já o governo brasileiro é contrário à imposição de penalidades, com o argumento de que as sanções não são eficazes e que acabariam prejudicando apenas as camadas mais pobres da população. Lula aproveitou ainda o encontro para defender a paz.

Puxando Medvedev pelo braço, Lula disse ao presidente russo que passou "grande parte de sua juventude sendo contra a invasão da Rússia no Afeganistão", referindo-se à presença dos russos em território afegão, que durou de 1979 a 1989.

"Quero a paz para o Afeganistão também", acrescentou o presidente brasileiro. Segundo Lula, "há muita coisa a se resolver" no Oriente Médio, acrescentando que a questão iraniana "é apenas a primeira fase". "As Nações Unidas que criaram o Estado de Israel podiam criar o Estado palestino", sugeriu o presidente.

Crise

Lula disse que a situação da Grécia, que enfrenta uma grave crise fiscal, é um indicativo de que a turbulência econômica pode voltar "ainda mais forte do que em 2008", segundo ele "por pura irresponsabilidade e falta de controle". "É inexplicável que um país como a Grécia cause pânico na Europa e no mundo inteiro", disse o presidente durante um seminário para empresários russos e brasileiros.

Brasil e Rússia assinaram um grupo de trabalho para estudar a adoção de um sistema de pagamento por moedas locais no comércio bilateral - modelo já adotado no comércio com a Argentina. "Nem o dólar, nem o euro, pode pretender ser uma moeda universal", disse o presidente brasileiro.

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