Na Costa do Marfim, 30 mil se refugiam em igreja contra conflito

Segundo missionário, complexo católico serve de abrigo para os que tentam escapar de choques entre rivais políticos no país

BBC Brasil |

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Até 30 mil pessoas estão refugiadas em um complexo de uma igreja católica na Costa do Marfim para tentar escapar dos confrontos no país, um missionário disse à BBC. Um padre na missão católica da cidade de Duékoué disse que os combates entre o Exército do país e forças leais a Alassane Ouattara, o vencedor das eleições de 2010 reconhecido internacionalmente, ocorrem em volta da igreja.

Reuters
Estrangeiros esperam para voltar a seus países em Abidjan, Costa do Marfim
O padre, que não quis se identificar, disse que muitos dos que buscaram refúgio na missão são imigrantes de outros países do oeste da África que estavam trabalhando nas plantações de cacau da região e que muitos chegam com ferimentos a bala.

Quando falou com a BBC na manhã desta terça-feira, o padre afirmou que estava escondido embaixo de uma mesa e ainda podia ouvir o tiroteio na cidade. Segundo ele, alguns disparos eram feitos perto da igreja. "Estamos ouvindo o combate... em frente da igreja, e as pessoas estão dentro da igreja, correndo aqui dentro", disse.

O padre pediu que a missão seja considerada um refúgio pelas facções que estão em confronto no país e acrescentou que as condições de higiene no local estão ruins.

A  crise na Costa do Marfim teve início em novembro, após as eleições presidenciais. Apesar de Ouattara ser considerado o vencedor pela comunidade internacional, seu rival, Laurent Gbagbo, que tentava a reeleição, recusa-se a deixar a presidência.

Três frentes

Um porta-voz da ONU na Costa do Marfim, Hamadoun Touré, informou que os combates agora ocorrem em três frentes, entre as forças leais a Ouattara e as do governo de Gbagbo. A ONU ainda acusa as forças partidárias de Gbagbo de disparar contra civis na maior cidade do país, Abidjan, na segunda-feira, deixando pelo menos dez mortos. Segundo a organização, outro grupo de partidários de Gbagbo queimaram um homem vivo na cidade.

Cerca de um milhão já fugiu da violência no país, a maioria de Abidjan, segundo dados da ONU. O porta-voz da organização também acusou as forças leais a Ouattara de derrubar um helicóptero da ONU perto de Duékoué.

No oeste, partidários de Ouattara atacaram Duékoué e outra cidade, Daloa. No leste, eles afirmam que tomaram a cidade de Bondoukou.

O repórter da BBC na cidade de Bouake, região central do país, afirmou que as forças de Ouattara fecharam a fronteira com a Libéria para impedir que os partidários de Gbagbo recrutem mercenários daquele país. As forças de Ouattara controlam o norte do país desde a guerra civil de 2002.

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