Mulher do advogado de condenada à morte é libertada no Irã

Fereshteh Halimi passou quase duas semanas presa e sofreu pressão para revelar paradeiro do marido, diz ativista

BBC Brasil |

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A mulher do advogado Mohammad Mostafaei, que defende a iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento no Irã, foi solta da prisão na noite de sábado, informou à BBC Brasil uma ativista de direitos humanos iraniana.

De acordo com a ativista Mina Ahadi, a esposa do advogado, Fereshteh Halimi, deixou a prisão de Evin sob fiança, depois de passar quase duas semanas confinada em uma solitária em Teerã, capital do país.

"Fui informada por Mostafaei que sua esposa Fereshteh estava bem e emocionada por reencontrar a filha de 7 anos", afirmou Ahadi.

A ativista lidera uma campanha em favor de Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, condenada à morte por apedrejamento no Irã por crime de adultério e que recebeu uma oferta de asilo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final de julho.

Principal advogado de Ashtiani, Mohammad Mostafaei, que também é um conhecido ativista de direitos humanos, passou a se esconder desde o dia 24 de julho, por medo das autoridades iranianas. A mulher de Mostafaei, Fereshteh, foi presa logo depois, sob a acusação de "acobertar um suspeito procurado".

"Ela sofreu muita pressão para revelar o paradeiro de seu marido. O governo exerceu intimidações contra a família de Mostafaei porque ele defendia os direitos de Ashtiani", diz Adahi. Junto com a esposa de Mostafaei, também haviam sido presos seu cunhado e sogro, já soltos pelas autoridades iranianas.

Noruega

O advogado Mohammad Mostafaei, de 31 anos, chegou à Noruega no domingo, depois de deixar o Irã na semana passada e passar pela Turquia, onde tentou ganhar a condição de refugiado. Em entrevista ao diário turco Hürriyet, Mostafaei revelou que já entrou com um pedido de asilo junto ao governo norueguês.

Mostafaei contou que considerou se entregar às autoridades iranianas, mas depois mudou de ideia porque "a esposa nunca o perdoaria". Ele também revelou que tomou a iniciativa de deixar o Irã depois de descobrir que as autoridades do país tinham a intenção de prendê-lo.

O iraniano afirmou que um amigo o levou de carro de Teerã até a cidade de Khoy, no noroeste do Irã, a cerca de 32 quilômetros da fronteira com a Turquia. "De lá, eu entrei no território turco a pé e até na carona de outra pessoa com seu cavalo", contou Mostafaei.

O advogado, no entanto, disse esperar que as autoridades iranianas o deixem retornar ao seu país para voltar a exercer sua profissão. Segundo ele, a decisão de pedir asilo à Noruega se deveu ao fato de já ter obtido um visto de um ano e à "ótima reputação relativa aos direitos humanos do país nórdico".

Breve escala

Mostafaei deixou a Turquia no sábado, após ser detido brevemente por um problema relacionado ao seu passaporte. No entanto, ainda não está claro se o iraniano permanecerá na Noruega. Ele disse que tinha esperança de que a pressão internacional forçaria o Irã a deixá-lo retornar ao país.

"Meu grande desejo é que eu consiga retornar e voltar ao meu trabalho. Mas isso apenas se as autoridades assegurarem meus direitos e minha segurança", disse Mostafaei ao Hürriyet.

De acordo com o advogado, vários de seus clientes têm seus direitos violados e sua situação atual estava impossibilitando-o de trabalhar em favor deles. "Sem minha profissão, não importa se estou no inferno ou no paraíso", disse.

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