Mujica quer libertar militares idosos condenados por crimes da ditadura

O presidente do Uruguai, o ex-líder guerrilheiro José Pepe Mujica, de 75 anos, defendeu nesta quarta-feira que os militares com mais de 70 anos condenados por crimes cometidos na ditadura sejam liberados antecipadamente ou cumpram prisão domiciliar. Não queremos jamais substituir a Justiça ou conseguir algum tipo de anistia (para os militares), mas dar uma ferramenta aos juízes para que eles possam tomar esta decisão, disse Mujica.

BBC Brasil |

"Eu não quero presos velhos. Velhos com 75 ou 80 anos. E isso não só para militares, mas para todos os demais presos desta idade", completou.

O líder uruguaio anunciou que enviará um projeto de lei ao Congresso Nacional que permitirá que a justiça libere estes militares presos, seja pela idade ou por problemas de saúde.

Integração
No período ditatorial (1973-1985), Mujica ficou preso durante catorze anos e fez parte do grupo chamado de "reféns" que poderia ser morto pelos militares caso seus aliados voltassem à ação armada.

Assessores do presidente disseram a BBC Brasil que "dezenas" de militares acusados de crimes na ditadura estão presos e poderiam ser beneficiados se a mudança defendida pelo presidente for aprovada.

Num almoço com militares, na terça-feira, Mujica voltou a se referir aos anos de ditadura, dizendo que as novas gerações de soldados não devem carregar "o peso" do que foi cometido por seus antecessores.

"Soldados da minha pátria, aqui não existem vencedores e vencidos. (...) As Forças Armadas de hoje não devem carregar nenhuma bagagem do passado diante de seu povo", afirmou.

Polêmica
Mujica declarou também que reconhecia que as Forças Armadas tinham sido deixadas economicamente "de lado" nos últimos anos e que o atual orçamento do setor dificulta seu "melhor funcionamento".

Ele chamou os militares a fazerem parte da "unidade nacional" e os convocou a trabalhar na construção de casas populares, projeto do seu governo. "Nossa luta deve ser contra a pobreza", afirmou.

As recentes declarações do novo presidente uruguaio geraram polêmica no país.

A promotora de justiça Mirta Guianze disse que a prisão domiciliar já vem sendo aplicada em alguns casos.

Como exemplo ela citou o ex-presidente eleito, e depois ditador, Juan María Bordaberry, que cumpre prisão em casa.

Já o deputado Luis Puig, que apoia Mujica, disse que respalda a possibilidade de "reinserção" dos presos, mas não daqueles que cometeram "terrorismo de Estado".

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