Mistério sobre prisão de assassino infantil gera debate na Grã-Bretanha

A recusa das autoridades em explicar a volta à cadeia de Jon Venables, que quando tinha dez anos foi preso pela morte de um menino de dois anos, está provocando polêmica na Grã-Bretanha. Venables e outro condenado à prisão perpétua pelo crime, Robert Thompson (também com dez anos na época do homicídio), foram libertados em 2001 depois de cumprir pena de oito anos pelo assassinato, em 1993, de James Bulger.

BBC Brasil |

Os dois sequestraram Bulger em um shopping center em Liverpool (noroeste da Inglaterra) e depois o agrediram com chutes, pedras e uma barra de ferro. Imagens do circuito interno de TV do shopping mostrando os garotos levando Bulger correram o mundo.

Mas Venables voltou à prisão nesta quarta-feira, sem que as autoridades explicassem a razão.

Segundo o tabloide The Sun, "ninguém tem o direito de esconder a verdade do público". Já o Daily Mail pediu: "Diga à gente o que ele fez".

Uma colunista do jornal The Guardian afirmou que o fato de o caso ter provocado tamanha reação da imprensa e do público demonstra que os britânicos não estão satisfeitos com o sistema. Ela argumenta que o cumprimento de uma pena de prisão perpétua pelo resto da vida talvez esteja mais próximo do que se imagina.

Mas uma colunista do The Times defendeu a decisão do governo, argumentando que "as autoridades demonstraram admirável coragem face à grande pressão emocional por punição. Em vez disso, aos assassinos foi oferecida redenção e reabilitação como seres humanos decentes".

Prisão
Venables foi condenado juntamente com Robert Thompson à prisão perpétua pelo crime, cometido em Liverpool quando eles tinham 10 anos.

Os dois cumpriram pena em instituições separadas antes de serem libertados, ambos em 2001.

Em casos em que o criminoso é condenado à prisão perpétua na Grã-Bretanha, ele corre, pelo resto da vida, o risco de voltar à prisão, caso seja posto em liberdade condicional.

Segundo as condições impostas na concessão da condicional em 2001, os dois foram proibidos de voltar a se encontrar pelo resto da vida e de voltarem à região onde o crime foi cometido - a não ser com autorização prévia, em ocasiões específicas.

Os dois receberam novas identidades para poderem recomeçar a vida, dada a sensibilidade do caso, e a imprensa ficou proibida de revelar seus paradeiros ou seus novos nomes.

Em casos como esse, a lei britânica prevê que o criminoso pode ser mandado de volta a prisão em três circunstâncias - se cometer um crime, se ele se comportar de modo que provoque suspeitas de que está prestes a cometer um crime ou se violar as regras da condicional.

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