Missão não foi de execução e rendição de Bin Laden teria sido aceita, dizem EUA

Secretário de Justiça americano afirma que, se líder da Al-Qaeda tivesse se rendido, equipe Seal não o teria matado

BBC Brasil |

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O secretário de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, disse nesta quinta-feira que a missão americana que matou Osama Bin Laden em 2 de maio não tinha como objetivo principal assassinar o líder da Al-Qaeda.

AFP
Eric Holder comenta morte de Bin Laden no Senado americano em 04/05/2011
Holder disse à BBC que a operação era uma "missão de matar ou capturar". Caso Bin Laden tivesse se rendido, os americanos teriam aceitado a proposta, afirma Holder.

O secretário de Justiça dos Estados Unidos disse que a principal preocupação da missão era atenuar os riscos aos oficiais americanos dos Seals da Marinha , a unidade especial das Forças Armadas americanas que conduziu a operação.

Holder disse que as forças especiais agiram "de maneira adequada" na falta de qualquer indício claro de que Bin Laden se renderia. "Se a possibilidade existisse, se houvesse a possibilidade de uma rendição factível, isso teria acontecido", disse Holder à BBC. "Mas a sua proteção, isso é, a proteção das forças que entraram no complexo era, acredito, o principal que tínhamos em mente."

O secretário da Justiça reiterou que a operação toda foi legal, afirmando que as leis internacionais permitem que comandantes inimigos sejam alvos de operações. "Acredito que os pingos nos 'i's e os traços nos 't's são o que distingue os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e nossos aliados daqueles que estamos combatendo", disse ele.

"Respeitamos a força da lei, há formas adequadas para nos comportarmos e esperar que nossas pessoas se comportem, e acredito que os Seals se comportaram de tal forma que é consistente com valores americanos e britânicos."

Críticas

Na terça-feira, filhos de Bin Laden criticaram a forma como o líder da Al-Qaeda foi morto. Duas autoridades das Nações Unidas divulgaram uma nota na qual afirmam que o uso de força mortal é permitido em casos excepcionais e como último recurso.

"No entanto, a regra deveria ser que terroristas sejam tratados como criminosos por meio de processos legais de prisão, julgamento e punição decidida por julgamento", diz a nota assinada pelos inspetores especiais da ONU para execuções extrajudiciais Christof Heyns e Martin Scheinin.

Bin Laden foi morto no dia 2 de maio em um complexo em Abbottabad , no Paquistão. O líder da Al-Qaeda não estava armado quando foi morto, mas autoridades americanas disseram que havia armas em seu quarto.

O governo americano decidiu não divulgar imagens de Bin Laden morto, o que causou desconfiança de alguns críticos, que exigem mais transparência sobre a operação em Abbottabad. Alguns parlamentares tiveram acesso às fotos de Bin Laden morto, mas o governo americano se recusa a divulgar as imagens publicamente. O senador James Inhofe, republicano do Estado de Oklahoma, disse que as imagens são "pavorosas" , mas que provam que o corpo seria mesmo do líder da Al-Qaeda.

Autoridades americanas disseram que documentos apreendidos com Bin Laden mostram que ele esteve envolvido com todos os episódios recentes de ameaça da Al-Qaeda. Eles estão analisando documentos contidos em mais de 100 pendrives e cinco computadores.

Um dos documentos mostraria que Bin Laden calculou o número de americanos que teriam qe morrer para que os Estados Unidos deixassem o Oriente Médio. Ele também teria incentivado ataques a Los Angeles e Nova York.

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