Mineiros chilenos ainda não sabem que resgate poderá durar meses

Equipe de médicos e psicológos já está no local para monitorar a saúde mental dos trabalhadores presos

BBC Brasil |

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Os 33 mineiros chilenos presos há 17 dias soterrados em uma mina de cobre e ouro no norte do país ainda não sabem que o resgate poderá levar até quatro meses. Andres Sougarret, chefe da operação que prevê a abertura de um túnel para a retirada dos trabalhadores, afirmou que o período poderá ser necessário para abrir um túnel largo o bastante para a passagem segura dos homens.

Sougarret informou ainda que os familiares dos mineiros estão elaborando cartas para serem enviadas aos homens pelo pequeno buraco de cerca de 15 centímetros de diâmetro, único canal de comunicação com os trabalhadores soterrados. O chefe da operação de resgate afirma que os familiares foram orientados para manter um tom otimista nas cartas.

Uma perfuradora especial está sendo enviada para a mina localizada perto da cidade de Copiapó. Mas, de acordo com o ministro de Mineração, Laurence Golborne, mesmo se equipamentos ainda mais especializados, de fora do Chile, fossem enviados para o local, a operação de resgate ainda duraria pelo menos dois meses.

No momento, engenheiros estão tentando abrir mais linhas de comunicação com os 33 mineiros. Eles estão em um abrigo a 700 metros de profundidade e cerca de 25 metros quadrados de tamanho. Os 33 homens sobreviveram os 17 dias graças a tanques de água que estavam no abrigo e canais de ventilação. Nesta segunda-feira começaram a ser enviadas as primeiras remessas de comida e água aos trabalhadores.

Pombas

Os engenheiros trabalharam durante a noite de domingo para reforçar o buraco de 15 centímetros de diâmetro, numa tentativa de diminuir o risco de queda de rochas e facilitar o envio de materiais aos mineiros em pequenas cápsulas de plástico azul, apelidadas de "palomas", ou pombas. A prioridade é enviar cápsulas com água e comida, em forma de solução altamente calórica de glicose, além de medicamentos para diminuir a acidez estomacal que atinge os trabalhadores presos.

Também foram enviados questionários para determinar o estado de saúde dos mineiros. Uma das maiores preocupações agora é com a saúde mental dos confinados e uma equipe de médicos e psicólogos chegou ao local para ajudar a monitorar as condições físicas e mentais dos trabalhadores durante o longo período de espera pelo resgate.

"Precisamos estabelecer com urgência qual o estado psicológico em que eles se encontram. Eles precisam entender o que sabemos aqui na superfície, que levará várias semanas até eles verem a luz do sol", disse o ministro da Saúde, Jaime Manalich. "Deve-se estabelecer uma liderança (entre eles) e uma rede de apoio para prepará-los para o que está pela frente, o que não é pouco", completou.

Bilhete

As vítimas ainda não haviam feito contato com as equipes de resgate e havia pouca esperança de que os trabalhadores pudessem estar vivos até este domingo. O anúncio foi feito depois de uma sonda perfuradora, inserida na mina por equipes de resgate, ter voltado à superfície com um bilhete onde os mineiros afirmavam estar bem. "Estamos bem, em um refúgio, os 33", diz o bilhete.

Pouco depois, uma câmera que foi enviada com uma sonda para o interior da mina captou imagens de nove mineiros, aparentemente em boas condições de saúde. O acidente ocorreu no último dia 5 de agosto, em uma mina localizada perto da cidade de Copiapó. Os mineiros trabalhavam a uma profundidade de cerca de 700 metros, quando uma rocha que estava acima deles desabou.

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