Militares dizem ter dado golpe de Estado em Madagascar

Anúncio de golpe contra presidente Andry Rajoelina ocorreu em dia de votação de um referendo sobre constituição

BBC Brasil |

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Militares em Madagascar afirmam que deram um golpe de Estado e assumiram o controle do país africano. O grupo, que tem entre os seus membros o coronel Charles Andrianasoavina, diz ter dissolvido as instituições governamentais e formado um comitê militar.

Andrianasoavina, que fez o anúncio do golpe, era um dos oficiais por trás de um golpe que levou Andry Rajoelina à Presidência no ano passado.

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Partidários do presidente e ex-DJ Andry Rajoelina (foto de arquivo)
Em reportagem no site noticioso Orange Madagascar, porém, o presidente negou ter deixado o poder e disse que foi ameaçado por militares. “Eu pessoalmente recebi ameaças de morte. Coronéis que eu não conheço me disseram que me matariam se eu não renunciasse. Eu não renunciarei, não tenho medo. Tenho fé”, disse o presidente.

O anúncio do golpe ocorreu enquanto os madagascarenses votavam em um referendo por uma nova constituição. O país, uma ilha no leste da África, no Oceano Índico, tem vivido instabilidades há vários anos.

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Jornalistas dizem que o coronel Andrianasoavina fez o anúncio numa base militar próxima ao aeroporto da capital Antananarivo.

Segundo o ex-correspondente da BBC em Madagascar Jonny Hogg, Andrianasoavina fazia parte do grupo que derrubou o presidente Marc Ravalomanana em março de 2009. Não está claro o quão poderoso é o grupo do coronel.

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Nesta quarta-feira, população votou em um referendo por uma nova constituição
A nova constituição em votação permitiria ao presidente atual, Andry Rajoelina, permanecer no poder até que se organizasse uma nova eleição. Ela também baixaria o limite de idade para candidatos à Presidência de 40 para 35 anos, permitindo que o atual líder, de 36 anos, permanecesse no poder.

Rajoelina, que disse não pretender se candidatar à Presidência, organizou manifestações em favor do “sim” no referendo.

Boicote

Os três principais grupos oposicionistas, cada um liderado por um ex-presidente, defenderam o boicote à votação. Eles veem o referendo como uma tentativa de legitimar a posição de Rajoelina, que só é reconhecida por alguns países.

Ex-DJ e ex-prefeito de Antananarivo, Rajoelina chegou ao poder com grande apoio popular. No entanto, Rajoelina estava diplomaticamente isolado e ignorou as tentativas de mediadores regionais de negociar um acordo com a oposição.

Segundo alguns analistas, ele falhou em pôr fim a disputas de poder, o que teria reduzido a sua popularidade.

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