México pede investigação sobre morte de imigrante

Mexicano morre nos EUA após ser detido e imobilizado pela polícia com arma que emite choques elétricos

BBC Brasil |

O governo do México pediu que as autoridades americanas investiguem detalhadamente as circunstâncias que levaram à morte do mexicano Anastasio Hernández Rojas depois de ele ser detido e imobilizado com uma arma que emite choques elétricos em um posto da fronteira ao sul de San Diego, na Califórnia.

Hernández Rojas, que foi internado depois do incidente, morreu na segunda-feira em um hospital em Chula Vista, Califórnia, segundo informações do consulado mexicano em San Diego.

O imigrante mexicano, pai de cinco filhos, vivia ilegalmente nos Estados Unidos havia 25 anos. Seu processo de deportação foi iniciado depois de ele ser detido por causa de uma infração de trânsito.

Segundo um comunicado emitido pelo consulado, a chancelaria mexicana condenou o incidente que levou à sua morte.

"A Secretaria de Relações Exteriores expressa sua indignação e reitera sua mais enérgica condenação pelos atos que provocaram a morte do senhor Hernández Rojas", afirma o comunicado.

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Segundo a polícia de San Diego, Hernández Rojas foi preso e algemado pela Patrulha da Fronteira e seria deportado na sexta-feira.

Quando as algemas foram retiradas, o imigrante tentou fugir. Os guardas o detiveram e lhe aplicaram os choques elétricos até ele ficar inconsciente, afirma o relatório policial.

Depois de insistiu que os agentes agiram em defesa própria, a Patrulha da Fronteira afirmou que está investigando o incidente, ocorrido no posto fronteiriço de San Ysidro.

A agência encarregada de vigiar a fronteira americana acrescentou que o mexicano se mostrou agressivo durante o processo de deportação e, "como resultado, um dos agentes lhe aplicou um módulo de defesa eletrônico para dominar o indivíduo e preservar a segurança do agente".

Versão das testemunhas

As testemunhas que cruzavam a fronteira na hora do incidente, no entanto, disseram a organizações de defesa dos direitos humanos que os agentes continuavam golpeando Hernández Rojas mesmo quando ele não se movia mais, ao mesmo tempo em que, do lado mexicano da fronteira, havia gente pedindo para que parassem de bater nele.

"A cada dia que não temos uma reforma das leis de imigração morre gente cruzando a fronteira por causa de crimes motivados pelo racismo ou nas mãos das autoridades, como no caso de Anastasio", disse a organização Ángeles de la Frontera.

"Queremos que as pessoas responsáveis por este assassinato sejam levadas à Justiça", afirmou o grupo que presta assistência aos imigrantes na zona fronteiriça de San Diego.

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