Lula vai à Buenos Aires em meio a polêmica sobre exportações

Presidente visita a capital da Argentina nesta terça-feira para participar das comemorações do bicentenário do país vizinho

BBC Brasil |

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Há cerca de vinte dias, a imprensa argentina informou que, por determinação da secretaria de Comércio do governo da presidente Cristina Kirchner, alimentos enlatados do Brasil teriam que enfrentar barreiras para entrar no mercado argentino, a partir do dia 1º de junho. O objetivo seria tentar reduzir as importações de similares produzidos no país. O anúncio causou grande apreensão entre exportadores brasileiros, apesar de Kirchner ter descartado que seu país tivesse adotados novas barreiras. "Não houve restrição alguma (às importações)", disse à agência oficial Telam. Mesmo assim, a notícia provocou filas de caminhões na fronteira, segundo a rádio Diez.

Em maio, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) disse que havia "fortes indícios de que essa notícia começou a surtir efeitos, obstruindo o ingresso de produtos brasileiros no mercado argentino". "Causam preocupação também a falta de transparência e as feições discriminatórias na forma como a medida está sendo disseminada" diz a Fiesp.

Segundo a imprensa argentina, a medida consta de um pedido feito diretamente pela Secretaria de Comércio aos importadores argentinos. "As restrições acabam sendo voluntárias por parte dos importadores, diante do pedido do governo", disse à BBC Brasil o analista especializado em assuntos comerciais, Raul Ochoa, professor da Universidade de Buenos Aires (UBA).

Ochoa afirma que o pedido do governo teria ocorrido em um momento de expansão da economia argentina, que registra quatro meses seguidos de forte crescimento, com incremento do consumo. "É nesta hora que os brasileiros gostariam de ter maior presença nas prateleiras argentinas. Mas além das barreiras informais, como a dos alimentos, estão em vigor outras.

É o caso das cotas para determinados produtos industrializados brasileiros", disse. Ele diz acreditar que estas cotas provocam desvio de comércio para mercadorias da China e outros países asiáticos. A consultoria Abeceb, especializada em comércio exterior, divulgou um estudo apontando que as importações de alimentos brasileiros representam apenas 1,6% do total exportado do Brasil para a Argentina. "Se o Brasil decidir adotar represálias, a Argentina será a maior prejudicada", afirma.

Na segunda-feira, o jornal La Nación, de Buenos Aires, publicou, em sua manchete, que as 'diferentes formas de barreiras às importações' afetam uma lista superior a quinhentos produtos. Eles vão de pneus a tecidos. Segundo a reportagem, Brasil, China e União Europeia são os mais afetados.

Além de Lula, é aguardada a presença de outros líderes regionais para as comemorações do bicentenário, que completam quatro dias de festejos nesta terça-feira. No sábado, Gilberto Gil cantou para uma multidão no centro da cidade. Nesta segunda-feira, o histórico Teatro Colon foi reaberto. Esta será a segunda vez que Lula estará na Argentina neste mês de maio.

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