Lula diz que negociações com o Irã podem voltar à estaca zero

Presidente brasileiro diz que recusa do Conselho de Segurança da ONU em dialogar pode levar a "problemas sérios"

BBC Brasil |

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que as negociações com o Irã podem "voltar à estaca zero" caso os membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) não aceitem discutir com Teerã o programa nuclear do país.

"O Irã aceitou se sentar à mesa de negociação. Agora depende do Conselho de Segurança da ONU, porque, se não se sentar para negociar, vai voltar à estaca zero", disse o presidente durante o discurso de encerramento de um seminário sobre economia em Madri, nesta quarta-feira.

Em suas primeiras declarações sobre a questão iraniana desde que os membros permanentes do Conselho de Segurança anunciaram estarem trabalhando em uma quarta rodada de sanções contra o país, Lula afirmou que a falta de diálogo com Teerã pode levar a "problemas sérios".

O presidente disse também que o cenário da política internacional necessita de novos protagonistas. "É preciso mais atores, mais negociadores. Se a ONU continuar assim, vai ter problemas sérios".

'Como queriam os EUA'

O discurso foi feito dois dias depois do anúncio de um acordo mediado por Brasil e Turquia em que o Irã se comprometeu a enviar parte de seu urânio para ser enriquecido fora de seu território - como previa um acordo que acabou fracassando no ano passado.

Segundo o presidente, para o acordo, o Brasil agiu "como queriam os Estados Unidos", que agora defendem as sanções contra Teerã junto com os outros membros permanentes do Conselho de Segurança, entre eles, China e Rússia.

"Nós fizemos exatamente o que os Estados Unidos queriam. Qual era o grande problema do Irã? É que ninguém conseguia fazer com que o Irã se sentasse à mesa de negociação", disse.

Na saída do evento, a caminho do aeroporto, Lula parou para cumprimentar os jornalistas brasileiros e, ao ser perguntado sobre a participação de China e Rússia no acordo para novas sanções contra o Irã, respondeu apenas que os países "são amigos".

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