Líder supremo do Irã descarta negociações com os Estados Unidos

Khamenei diz que Teerã só aceitaria diálogo se governo americano suspendesse sanções e abandonasse ameaças

BBC Brasil |

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O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, rejeitou nesta quarta-feira negociações sobre o programa nuclear iraniano com os Estados Unidos e afirmou que Teerã só aceitaria dialogar sobre a questão se o governo americano suspendesse as sanções e abandonasse as ameaças contra seu país.

Durante um discurso transmitido pela TV estatal iraniana, Khamenei ainda afirmou que os Estados Unidos não estariam agindo de maneira honesta com o Irã.

"As ofertas de negociações não são novas e o Irã sempre as rejeitou. Há um motivo claro para isso, e é que negociações sob ameaças e pressão não podem ser chamadas de negociações", disse. "Se um dos lados pretende agir como um grande poder, ameaçando o outro lado, colocando-o sob pressão, impondo sanções e mostrando uma mão de ferro ao mesmo tempo em que se oferece para negociar, isso não é negociação".

"Nós não vamos nos envolver em negociações deste tipo com ninguém. Esta é a maneira pela qual os Estados Unidos sempre ofertaram diálogo", disse o líder iraniano.

Endurecimento

As declarações de Khamenei diferem das feitas recentemente pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que chegou desafiar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para um debate televisionado " cara a cara ", oferta que foi rejeitada pela Casa Branca.

Khamenei ocupa o posto mais importante na hierarquia política do Irã. Ele é o responsável por indicar o chefe do Judiciário, seis dos 12 membros do Conselho de Guardiões - órgão que chancela as decisões do Parlamento - além dos comandantes das Forças Armadas.

Apesar das palavras duras do líder supremo, ele não descartou explicitamente negociações sobre o programa nuclear iraniano com outros países. As negociações do Irã com o grupo conhecido como P5+1 - formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) e a Alemanha - continuam, embora as novas sanções contra o país e o endurecimento da retórica dos líderes iranianos possam indicar que suas perspectivas não são as melhores.

Para o analista de assuntos iranianos da BBC, Jon Leyne, embora as declarações de Khamenei possam apontar um endurecimento de posição, elas também não são diferentes do que já estava se dizendo anteriormente.

"Isto parece ser uma rejeição final à oferta de diálogo do presidente Obama, embora nenhuma negociação entre Irã e Estados Unidos estivesse acontecendo ou parecesse provável", diz Leyne.

Sanções

No ultimo mês de junho, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma quarta rodada de sanções contra o Irã. As medidas foram seguidas por outras sanções unilaterais aplicadas por Estados Unidos, Canadá e União Europeia. O Brasil e a Turquia, que são membros rotativos do Conselho, se colocaram contra as sanções, após terem firmado com Teerã um acordo para troca de combustível nuclear que acabou não sendo colocado em prática.

Parte da comunidade internacional acredita que Teerã esteja procurando desenvolver armas atômicas com seu programa nuclear, o que é negado pelo governo iraniano.

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