Lei contra a imigração do Arizona é contestada na Justiça

Rigorosa lei causa polêmica e é criticada por entidades de direitos humanos

BBC Brasil |

A rigorosa lei para conter a imigração no Estado americano do Arizona está sendo contestada na Justiça.

Críticos dizem que a nova legislação, que prevê que a polícia aborde e interrogue qualquer pessoa suspeita de estar no país ilegalmente, tenha como alvo latino-americanos de origem hispânica. Pela lei, quem for questionado e não puder provar seu status no país pode ser preso.

O grupo cristão National Coalition of Latino Clergy and Christian Leaders e um policial do Arizona estão levando o caso à Justiça. Grupos de defesa dos direitos civis e o governo federal americano dizem que podem seguir este exemplo. A lei foi criticada entre outros pelo presidente Barack Obama e pela cantora pop colombiana Shakira.

Mesmo que a maioria dos habitantes do Arizona apoiem a medida, ela despertou protestos e causou polêmica no resto do país.

Reuters
Ativistas fazem cartazes para protesto agendado para este sábado no Arizona

'Meio milhão de ilegais'

O policial Martin H. Escobar, de 45 anos, diz que a lei viola vários direitos constitucionais do indivíduo e vai interferir no trabalho da corporação em áreas onde a maioria da população é hispânica.

Escobar, há 15 anos na polícia de Tucson, alega que não há uma maneira racialmente neutra de determinar quem deve ser parado e interrogado sobre sua situação de imigração, de acordo com o site do jornal Tucson Sentinel.

Segundo o Arizona Daily Star, Martinez disse: "Há muita gente em situação legal que fala espanhol, e há muita gente que fala com sotaque."

"Isso indica que eles são latinos, ou hispânicos, ou mexicanos, mas não diz nada sobre os seus documentos."

Qualquer tentativa de confirmar a situação de imigração no contato com o público poderia "prejudicar seriamente investigações policiais e facilitar a prática de crimes nos Estados Unidos", diz a ação movida pelo policial.

Em situações em que uma pessoa fosse vítima de um crime ou tivesse testemunhado um crime o policial acabaria sendo obrigado a se concentrar mais na situação de imigração dela do que no próprio crime. Escobar alega que sofreu "discriminação no emprego e retaliação" por expressar oposição à lei, segundo o Tucson Sentinel.

Estima-se que quase meio milhão de pessoas no Arizona estejam nos Estados Unidos ilegalmente. O Estado tem menos de 7 milhões de habitantes.

A maioria dos supostos ilegais vem do México em busca de trabalho, mas a fronteira do Arizona é também uma rota comum de narcotraficantes.

Partidários da nova lei dizem que ela vai proteger moradores em situação regular, mas opositores alegam que qualquer um pode ser abordado pela polícia por ter aparência hispânica.

Há um consenso nos Estados Unidos de que o governo federal tem que adotar alguma medida em relação à imigração, mas há divergências sobre o que fazer, de acordo com o correspondente da BBC em Los Angeles, Rajesh Mirchandani.

Boicote

Além de estar sendo contestada na Justiça, a nova legislação provocou a orgzanização de um boicote por parte de políticos de San Francisco, Los Angeles e Washington e algums empresas do Arizona.

O grupo ativista Care2 lançou na internet o site "Boycott Arizona!” (Boicote o Arizona!), que promove o boicote ao governo do Estado e a empresas que apoiem políticos do Estado.

Entre os políticos que defendem o boicote está o prefeito de San Francisco, Gavin Newsom, e o presidente do Senado da Califórnia, Darrel Steinberg.

Segundo o jornal Washington Post, o Conselho Municipal da cidade de Washington planeja aprovar uma resolução até a semana que vem pedindo ao governo do distrito federal que adira ao boicote o Arizona.

Os primeiros efeitos deste boicote já estão sendo sentidos, principalmente na indústria do turismo.

Na própria sexta-feira, pouco depois da assinatura da lei, a direção da Associação Americana de Advogados de Imigração (AILA, na sigla em inglês) instruiu o seu Comitê Executivo a transferir a conferência de outono da associação, marcada inicialmente para o Arizona.

"A gente não pode, em sã consciência, gastar os dólares da associação em um Estado que desumaniza as pessoas que representamos e pelas quais lutamos”, disse o presidente da AILA, Bernie Wolsford.

"O que a governadora Brewer fez ao assinar esta lei é validar todos os medos irracionais das pessoas que não querem reconhecer os benefícios econômicos e culturais da imigração para o nosso país".

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