Karzai esclarece denúncias de fraude aos EUA

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, conversou por telefone nesta sexta-feira com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, para esclarecer seus comentários sobre o suposto envolvimento de estrangeiros em fraudes nas eleições afegãs. Mais cedo, o embaixador dos EUA na capital afegã, Cabul, Karl Eikenberry, se encontrou com Karzai e expressou a preocupação do governo americano sobre as declarações do líder afegão, consideradas perturbadoras pelas autoridades dos EUA.

BBC Brasil |

Karzai se disse "supreso" com a reação do governo americano sobre suas declarações e ligou para a secretária de Estado. Durante a conversa, que durou 25 minutos, Karzai tentou amenizar o impacto de seus comentários e reafirmar seu compromisso com os EUA.

Segundo o porta-voz do departamento de Estado, Philip Crowley, a conversa foi "construtiva".

"O presidente Karzai reafirmou seu compromisso com a parceria entre os dois países e expressou seu apreço pelas contribuições e sacrifícios da comunidade internacional", disse Crowley.

Na quinta-feira, Karzai reconheceu a ocorrência de fraudes nas eleições do ano passado, em que foi reconduzido à Presidência, mas afirmou que essas irregularidades não foram cometidas por afegãos, e sim por membros da ONU e da União Europeia que acompanhavam o pleito.

Segundo o porta-voz do presidente afegão Waheed Omer, o discurso de Karzai foi mal interpretado.

Autoridades americanas afirmaram que Clinton pediu ao líder afegão para que ele "vire a página" da controversa eleição do ano passado e siga em frente.

Obama
Os comentários de Karzai foram feitos menos de uma semana depois de uma visita surpresa do presidente americano, Barack Obama, ao Afeganistão.

"Eu acho que o presidente (Obama) foi bem claro com o presidente Karzai no fim de semana sobre as medidas necessárias para melhorar a governabilidade e (reduzir) a corrupção para que possamos abordar os problemas que enfrentamos lá", disse o porta-voz americano.

Em sua primeira visita ao Afeganistão como presidente, no último domingo, Obama reafirmou o apoio dos Estados Unidos a Karzai, mas reforçou o descontentamento americano com alguns problemas do governo afegão e a necessidade de combater a corrupção.

Karzai foi reconduzido à Presidência no ano passado, depois de um longo e polêmico processo eleitoral, marcado por denúncias de fraude.

Mais de 1 milhão de votos, a maioria para Karzai, foram rejeitados em uma recontagem por causa de irregularidades.

O presidente acabou sendo reeleito no segundo turno, depois que seu adversário se retirou da disputa.

Nessa semana, ao falar sobre as fraudes, Karzai citou o vice-chefe da missão da ONU no Afeganistão na época do pleito, Peter Galbraith, e o chefe da missão da União Europeia, general Phillippe Morillon, como culpados pelas irregularidades. Ambos negaram as alegações.

* Colaborou Alessandra Corrêa, da BBC Brasil em Washington

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