Kadafi deve renunciar e parar de fazer ameaça, diz Hillary

Na sexta-feira, líder líbio ameaçou atacar a Europa em retaliação às operações da Otan

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AP
Hillary afirmou que a missão liderada pela Otan na Líbia continua
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que o líder líbio, coronel Muamar Kadafi, deve parar com as ameaças de ataques à Europa e renunciar ao poder.

Na sexta-feira Kadafi ameaçou atacar a Europa em retaliação às operações militares da Otan no seu país.

"Ao invés de fazer ameaças, Kadafi deveria colocar o bem-estar e os interesses de seu próprio povo em primeiro lugar, deveria renunciar e ajudar a facilitar uma transição democrática que vá de encontro às aspirações do povo líbio", afirmou Clinton neste sábado, durante uma visita à Espanha.

Em um pronunciamento em Madri, ao lado da ministra do Exterior espanhola, Trinidad Jimenez, Clinton afirmou que a missão liderada pela Otan na Líbia continua.

"A pressão a Kadafi etá aumentando e os rebeldes estão ganhando força e ímpeto. Precisamos chegar ao fim disso e estamos totalmente de acordo que isto vai acontecer", disse.

A Otan está atacando as forças de Kadafi na Líbia com a anuência de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, sob a justificativa de proteger os civis líbios dos ataques do regime.

Ameaça
A ameaça de Kadafi foi divulgada em uma mensagem em áudio transmitida na sexta-feira a milhares de seus seguidores na Praça Verde, no centro de Trípoli. Khadafi afirmou que irá atacar, a não ser que que a Otan cesse os bombardeios.

"Este povo (líbio) é capaz de, um dia, levar esta batalha (...) à Europa, para atingir os seus lares, escritórios, famílias, que se tornariam alvos militares legítimos, assim como vocês atingiram os nossos lares", disse o coronel.

"Se nós tomarmos essa decisão, seremos capazes de ir à Europa como gafanhotos, como abelhas. Nós os advertimos que se retirem antes que vocês lidem com um desastre."

O líder líbio pediu a seus partidários que "marchem nas montanhas do oeste" perto de Trípoli, onde a França lançou armas aos rebeldes que combatem as forças pró-Kadafi.

"Se vocês querem paz e que a situação volte a ser como era antes dos últimos cem dias, vocês têm que chegar a um acordo com o povo líbio, e não com Muamar Khadafi", disse o coronel.

Mandado de prisão
A mensagem de Khadafi foi divulgada dias depois que o Tribunal Criminal Internacional, com sede em Haia (Holanda), emitiu um mandado internacional de prisão contra Khadafi, seu filho, Saif Al-Islam, e o chefe da inteligência líbia, Abdullah Al-Sanoussi.

Eles são acusados de crimes contra a humanidade. Segundo os promotores, os três indiciados ordenaram que tropas atirassem e matassem manifestantes civis durante os protestos contra o governo realizados no início deste ano.

Em sua mensagem, Kadafi disse que o mandado de prisão emitido pelo tribunal é injusta, e acusou a corte de ser um "instrumento do colonialismo".

O correspondente da BBC em Trípoli Rupert Wingfield-Hayes afirma que a manifestação pró-Khadafi da sexta-feira foi a maior registrada no país nos últimos tempos. Já a mensagem em áudio foi a primeira manifestação do líder líbio divulgada em semanas.

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