Japão nega ter sido informado de que China suspendeu contatos ministeriais

Pequim anunciou decisão no domingo, após Tóquio estender prisão de chinês; os dois países disputam arquipélago rico em pesca

BBC Brasil |

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O governo do Japão afirmou nesta segunda-feira que ainda não foi informado oficialmente da suspensão imposta pela China aos intercâmbios ministeriais entre os dois países. A decisão, anunciada por Pequim no domingo, ocorreu depois que um tribunal japonês estendeu a detenção do comandante de uma embarcação de pesca chinesa.

AP
Ciclista passa em frente de policiais paramilitares chineses que patrulham Embaixada do Japão em Pequim
No último dia 7, o pescador Zhan Qixiong foi detido sob a acusação de deliberadamente atingir embarcações da guarda-costeira e de obstruir o acesso de funcionários públicos do Japão a ilhas no Mar da China Oriental. O arquipélago, chamado de Senkaku no Japão e de Diaoyu na China, é disputado entre os dois países.

O congelamento dos contatos a nível ministerial foi anunciado nesse domingo na televisão estatal chinesa, depois que um tribunal da cidade japonesa de Okinawa decidiu estender a detenção de Qixiong por dez dias.

Segundo a declaração do Ministério do Exterior, a prisão "prejudicou seriamente as relações bilaterais sino-japonesas". "Exigimos que o Japão devolva o capitão chinês incondicional e imediatamente. Se o Japão continuar a tomar o caminho errado, a China vai adotar medidas duras e o Japão terá de lidar com as consequências", disse a mensagem.

'Calma e prudência'

O porta-voz do governo japonês, Noriyuki Shikata, pediu calma e prudência aos chineses, dizendo que as informações sobre a suspensão eram "lamentáveis", caso fossem verdadeiras.

As ilhas em disputa, que ficam ao norte de Taiwan e ao sul de Okinawa, são uma área rica para a pesca e podem ter reservas de petróleo e gás. O Japão atualmente controla o arquipélago, mas ambos os países declaram ter posse do local.

Visita cancelada

Além da disputa envolvendo as ilhas, a visita de mil estudantes japoneses à Expo 2010, realizada em Xangai, foi cancelada. Segundo Shikata, o governo chinês informou à embaixada japonesa em Pequim que os alunos não deveriam viajar ao país. O porta-voz definiu a decisão como "extremamente inapropriada".

De acordo com o correspondente da BBC em Tóquio Roland Buerk, a disputa aumentou as preocupações do governo japonês em relação ao crescente poder da China. O Japão, além de se ver suplantado pelos chineses como segunda maior economia do mundo, tem-se tornado cada vez mais dependente das exportações ao país vizinho, que se tornou seu maior parceiro comercial.

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