Japão desativará quatro reatores de usina danificada

Nível de radiação preocupa e especialistas avaliam necessidade de cobrir edifícios que abrigam reatores com material especial

BBC Brasil |

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AFP
Japonesa protesta contra a Tepco em Tóquio, no Japão
O Japão vai desativar quatro geradores da usina nuclear de Fukushima danificados pelo tsunami que atingiu o país. A empresa que opera os geradores, Tokyo Electric Power (Tepco), anunciou sua decisão após três semanas de tentativas de controlar a temperatura nos reatores 1 a 4 da usina de Fukushima Daiichi.

A empresa disse que decidirá mais adiante o que fazer em relação aos reatores 5 e 6, que foram desligados com segurança.

O presidente da Tepco, Tsunehisa Katsumata, disse que a empresa compensará os afetados pelo vazamento de radiação, e pediu desculpas pelos blecautes causados pela crise nuclear.

O nível de radioatividade registrado na região é preocupante, e especialistas japoneses estão avaliando se devem ou não cobrir os edifícios que abrigam os reatores com material especial, para evitar a disseminação da substância radioativa.

Na quarta-feira, o governo japonês anunciou medidas de segurança a serem tomadas imediatamente pelos operadores de usinas nucleares. Até o fim de abril, as empresas devem adotar medidas de precaução como preparar planos de fornecimento de energia em caso de queda no sistema principal, e manter caminhões de bombeiros prontos para resfriar reatores e compartimentos de combustível.

Radiação no mar

Já chega a 11 mil o número de mortos no terremoto e no tsunami que atingiram o Japão no dia 11 de março. Mais de 17 mil pessoas permanecem desaparecidas.

O desastre danificou o fornecimento de energia para os reatores, causando uma falha no sistema de resfriamento das estruturas. Desde então, engenheiros tentam reduzir a temperatura no núcleo dos reatores usando água do mar. Mas a operação não conseguiu interromper totalmente o vazamento radioativo, causado pelas altas temperaturas dentro dos reatores.

A agência nucelar japonesa informou que as novas medições de iodo nas águas próximas do reator número 1 de Fukushima apontaram um nível de radiação 3.355 vezes maior que o limite legal. Medições anteriores haviam apontado um nível de iodo no mar 1.850 vezes maior.

O iodo 131 foi apontado como a principal causa de casos de câncer de tireóide surgidos após o desastre nuclear de Chernobyl, em 1986.

A usina de Fukushima Daiichi fica a 300 metros da costa. A presença de elementos radioativos está sendo registrada a até 16 quilômetros de Daiichi, embora em níveis menos elevados.

O vice-diretor-geral da agência, Hidehiko Nishiyama, disse entretanto que o iodo tem vida curta e sua quantidade decairá substancialmente nos próximos dias, antes de qualquer contato com seres humanos. Os técnicos que trabalham na usina encontraram água radioativa no interior e no exterior de diversos edifícios de radioatores. Eles tentam evitar que o líquido seja derramado no mar.

Também foi detectado plutônio no solo de cinco locais da usina, sinal de que os bastões de combustível nuclear dentro dos reatores foram parcialmente derretidos. Segundo a Tepco, o nível de plutônio encontrado não oferece risco à saúde.

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