Japão aprova plano para ajudar operadora de usina a pagar indenizações

Valor total das compensações não foi divulgado, mas analistas dizem que deve passar de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 161 bilhões)

BBC Brasil |

selo

O governo japonês aprovou nesta sexta-feira um esquema de ajuda à empresa Tokyo Eletric Power (Tepco) para oferecer compensações financeiras aos afetados diretamente pela crise na usina nuclear de Fukushima, causada pelo terremoto seguido de tsunami de 11 de março.

Será criada uma instituição estatal, com o intuito de facilitar os pagamentos das compensações às vítimas e que também fiscalizará de perto a reestruturação da empresa. Segundo divulgou a agência de notícias Kyodo, dinheiro público será investido na instituição, mas o governo quer que as outras oito empresas que operam centrais nucleares também contribuam financeiramente.

O objetivo é criar uma espécie de fundo, que pode ser usado, por exemplo, em caso de outros acidentes nucleares.

Compensação

A decisão, que veio com um dia de atraso por causa de divergências dentro do partido governista, foi tomada após o pedido formal da Tepco na terça-feira. A empresa alegou problemas financeiros para compensar de forma "justa" os afetados pelo vazamento nuclear.

O valor total das compensações ainda não foi divulgado, mas analistas dizem que deve passar de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 161 bilhões). Cerca de 80 mil pessoas foram retiradas de suas casas em um raio de 20 quilômetros ao redor da usina nuclear de Fukushima.

O pior acidente nuclear do país também afetou agricultores, pescadores, o comércio e a indústria. Mas os primeiros a receber o dinheiro serão os moradores.

Responsabilidade

Em um comunicado divulgado pela imprensa japonesa, o governo diz que "oferecerá ajuda à Tokyo Electric Power para que a população sofra o mínimo possível". A ideia é que a Tepco, maior empresa de energia do país e que atende uma área correspondente a 33% da economia local, não vá à falência, o que causaria um prejuízo ainda maior ao Japão.

Além disso, o governo quer evitar aumentos nas contas de luz e, se possível, impedir que haja blecautes no verão. Em troca, a Tepco aceitou fazer uma drástica reestruturação na empresa. Entre as seis condições impostas, o governo pediu um corte profundo de gastos, não impor um teto máximo nas indenizações e aceitar uma investigação da gestão e do uso dos recursos.

"Esse esquema aliviará o medo de um distúrbio no mercado financeiro porque as ações e bônus dos investidores da Tepco estarão protegidos", disse à BBC Yasuhide Yajima, economista-sênior do Instituto de Pesquisas NLI, de Tóquio.

AP
Foto aérea de 20 de março de 2011 mostra reator 1 da usina nuclear de Fukushima, Japão
"Mas há muitas dúvidas sobre como o esquema vai funcionar, porque não sabemos exatamente qual é o total das compensações", acrescentou.

Estragos

Na quinta-feira, a Tepco divulgou que os estragos no reator nuclear na planta de Fukushima são piores do que se pensava . Há um novo vazamento de água altamente contaminada da cúpula que cobre o reator número 1, provavelmente por causa do dano decorrente do derretimento do combustível nuclear.

Depois do terremoto seguido de tsunami, os sistemas de resfriamento dos reatores pararam, superaquecendo o combustível. Houve explosão em prédios de quatro reatores, três dos quais estavam em operação no momento do tremor. Desde então, a operadora tenta recuperar o controle da usina. Trabalhadores continuam injetando água nos reatores, enquanto tentam restabelecer os sistemas de resfriamento.

A empresa tinha divulgado que levaria mais de nove meses para ter o controle total da usina. Mas, na próxima terça-feira, ela pretende divulgar um novo plano de trabalho, o que inclui uma revisão dos prazos.

Usina de Hamaoka

Enquanto a crise nuclear em Fukushima continua, a Chubu Eletric Power Co. começou o trabalho de desligamento da usina de Hamaoka , na Província de Shizuoka, atendendo ao pedido do governo japonês.

A planta está localizada em uma área considerada de alto risco de ocorrer um forte abalo sísmico nos próximos 30 anos. Dos cinco reatores, três já estão parados e, até sábado, a companhia disse que deve terminar o trabalho de desligamento total da usina. Para atender a demanda no verão, a operadora começou uma campanha para que os usuários economizem energia.

    Leia tudo sobre: japãoterremototremortsunamiusina nuclearradiação

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG