Israel testa míssil em meio à especulação sobre ataque ao Irã

Suposto plano de Netanyahu e Barak para atacar instalações nucleares iranianas provocam temores e críticas

BBC Brasil |

AFP
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, fala ao Parlamento em Jerusalém (31/10)
Israel realizou um teste de míssil nesta quarta-feira, em meio à especulação sobre um possível ataque israelense ao Irã que provoca duras críticas e alertas no país.

A Força Aérea Israelense disse que o teste dessa quarta-feira tinha sido planejado há muito tempo e não deu detalhes sobre a operação. A imprensa local, porém, disse se tratar de um míssil de longo alcance capaz de atingir o Irã.

A possibilidade de conflito entre os dois países tem ganhado grande destaque na mídia israelense, em particular depois de uma reportagem no jornal Yediot Ahronot ter dito que o premiê, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Ehud Barak, têm um plano para atacar as instalações nucleares do Irã.

Vários políticos, analistas e militares se manifestaram contrários ao plano. Segundo a imprensa, todos os chefes das forças de segurança do país, entre eles o chefe do Estado Maior, general Benny Gantz, e o chefe do Mossad, Tamir Pardo, também são contra um ataque ao Irã.

O ministro do Interior, Eli Ishai, que se opõe ao plano, disse que "não consegue dormir" por causa da possibilidade de Israel atacar o Irã. A declaração de Ishai foi vista como um sinal de que o plano existe, pois o ministro faz parte do gabinete de segurança do governo.

O ex-ministro da Defesa, Benjamin Ben Eliezer, disse à radio estatal de Israel que um ataque ao Irã "não seria menos perigoso do que a própria ameaça iraniana" e rejeitou veementemente qualquer plano nesse sentido. Em entrevista à radio estatal de Israel, Eliezer condenou o plano e disse que espera que a "razão vigore".

Tzipi Livni, líder do partido de oposição Kadima, disse em uma reunião do Parlamento nesta semana que "Netanyahu deve ouvir os conselhos dos chefes das forças de segurança (contra o ataque)".

Sem apoio

Analistas dizem que o plano poderia der executado "depois de Shalit e antes do inverno", em referência ao alto nível de aceitação popular de Netanyahu após a libertação do soldado israelense Gilad Shalit e ao fato de que o Exército prefere não realizar operações militares durante o período das chuvas do inverno, entre dezembro e fevereiro.

Netanyahu e Barak não confirmaram nem descartaram a decisão, mas seus últimos pronunciamentos deixaram margem para interpretações que geram preocupação em Israel.

Em uma declaração na terça-feira, Ehud Barak afirmou que Israel "é o país mais forte do Oriente Médio, desde Tripoli até Teerã, e pode vir a enfrentar situações em que terá que defender seus interesses sem o apoio de forças regionais ou de outras forças".

Segundo Ben Eliezer, um ataque de Israel ao Irã sem a concordância dos Estados Unidos e em uma situação de isolamento diplomático, seria "altamente perigoso" para Israel. O governo americano enviou vários emissários a Israel para deixar claro que se opõe a um plano de ataque ao Irã.

De acordo com Netanyahu, o programa nuclear iraniano representa uma ameaça "pesada e direta" contra Israel. O premiê israelense também já afirmou em diversas ocasiões que o significado de uma bomba atômica em poder do Irã seria de um "segundo Holocausto".

Sanções

De acordo com analistas militares, um bombardeio da Força Aérea israelense às instalações nucleares do Irã não poderá destruir o projeto nuclear do país, pois os alvos são numerosos e estão dispersos por todo o território iraniano, alguns deles enterrados profundamente em locais subterrâneos.

Eles afirmam ainda que se Israel bombardear o Irã, milhares de civis israelenses poderão morrer em consequência de um contra-ataque de mísseis iranianos, que seriam disparados principalmente contra a cidade de Tel Aviv. Um ataque ao Irã, segundo as análises, também teria um amplo impacto em todo o Oriente Médio e afetaria a economia mundial.

O ministério das Relações Exteriores de Israel iniciou uma campanha exortando a comunidade internacional a endurecer as sanções ao Irã. De acordo com o ministério, "as chances de frear o programa nuclear iraniano apenas com medidas diplomáticas estão se reduzindo".

Israel sugere a proibição de qualquer transação com o Banco Central do Irã, o boicote ao petróleo bruto do país e sanções contra suas empresas aéreas e marítimas.

No dia 8 de novembro, a Agência Internacional de Energia Atômica deverá publicar um relatório com novas informações sobre o programa nuclear iraniano.

Com BBC e Reuters

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