Israel suspende entrega de restos mortais de militantes à Autoridade Palestina

Ministro cancela acordo para entrega de 84 militantes argumentando que corpos poderiam ser moeda de troca por soldado Gilad Shalit

BBC Brasil |

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O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, anunciou nesta terça-feira a suspensão da transferência dos restos mortais de 84 militantes que havia sido acordada com a Autoridade Palestina, argumentando que os corpos poderiam ser moeda de troca pelo soldado israelense Gilad Shalit .

Reuters
Ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, é visto durante coletiva em 17 de janeiro deste ano
De acordo com Barak, o Ministério da Defesa "reavaliará se a entrega dos corpos pode prejudicar a negociação sobre Gilad Shalit", sequestrado por militantes palestinos na Faixa de Gaza há cinco anos. Barak também disse que "daqui a pouco não haverá o que entregar", em referência ao estado dos corpos, que se encontram enterrados há vários anos. "Devemos verificar quem são os que entregaremos e talvez não transferir parte deles", acrescentou o ministro.

Negociação

A transferência dos restos mortais, que estava programada para os próximos dias, tinha sido resultado de uma longa negociação entre oficiais israelenses e a Autoridade Palestina. O ministro palestino Hussein El Sheikh, responsável por assuntos civis, disse que ficou surpreso com a decisão de Barak e afirmou que toda a negociação sobre a entrega dos corpos fora realizada com o Ministério da Defesa de Israel, que é dirigido pelo próprio Barak.

El Sheikh também afirmou ter recebido do ministério israelense uma lista detalhada dos corpos que seriam transferidos, incluindo os nomes dos mortos, datas de nascimento e locais onde estão enterrados. A lista, que foi publicada pelas imprensas israelense e palestina, inclui dezenas de autores de atentados suicidas que mataram, no total, centenas de civis israelenses, principalmente entre os anos 2000 e 2004.

As informações de que Israel entregaria os restos mortais desataram protestos por parte de parentes de vítimas dos atentados. "Penso que Barak cedeu à pressão do público israelense", afirmou o ministro palestino. "Mas essa não é a primeira vez que o governo israelense não cumpre acordos", completou El Sheikh.

'Boa vontade'

Amos Gilad, chefe do Departamento de Segurança e Diplomacia do Ministério da Defesa de Israel, havia confirmado o acordo de entrega dos restos mortais à Autoridade Palestina argumentando que se tratava de um "gesto de boa vontade" de Israel para com o presidente palestino, Mahmud Abbas.

No entanto, Yacov Amidror, chefe do setor de Segurança Nacional no gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, afirmou que a troca havia sido aprovada "em princípio", mas não "de fato". "Como israelense e como judeu me sinto desconfortável todas as vezes que Israel negocia com corpos, mas infelizmente vivemos em uma região em que restos mortais são moeda de troca", disse Amidror à radio estatal Kol Israel.

Fontes do Ministério da Defesa disseram ao site Ynet que "ocorreu um mal entendido constrangedor" e que a maneira como a decisão foi tomada deverá ser examinada. O ministro palestino El Sheikh insiste que "o nome de Gilad Shalit não foi mencionado em nenhum momento das negociações sobre a transferência dos corpos".

El Sheikh também afirmou que a Autoridade Palestina não tem controle sobre o destino de Shalit, que se encontra em um cativeiro do Hamas, na Faixa de Gaza. Noam Shalit, pai do soldado capturado, disse nesta terça-feira que a discussão sobre a entrega dos restos mortais "não acrescenta respeitabilidade para Israel" e reiterou sua exigência de que governo "pague o preço" que o Hamas está exigindo e liberte seu filho.

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