Israel rejeita inquérito internacional sobre ataque

País afirma que é "costume padrão" realizar investigação interna

BBC Brasil |

Israel indicou nesta quinta-feira que não cederá à pressão para que seja conduzida uma investigação internacional sobre o ataque à frota de barcos que tentava furar o bloqueio à Faixa de Gaza e que resultou na morte de pelo menos nove ativistas nesta semana.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU votou pela abertura de um inquérito internacional independente sobre o incidente, mas Israel afirma que pode investigar o ocorrido com credibilidade.

"É nosso costume padrão após operações militares, especialmente após operações nas quais ocorrem fatalidades, conduzir rapidamente uma investigação profissional, transparente e objetiva, de acordo com os mais altos padrões internacionais", disse o porta-voz do governo israelense Mark Regev.

Israel afirma que, quando militares britânicos ou americanos são acusados por mortes no Iraque ou Afeganistão, eles mesmos conduzem as investigações.

Embora os Estados Unidos tenham declarado aceitar um inquérito liderado por Israel, crescem as indicações de que o país estaria pressionando Israel para começar a relaxar o bloqueio a Gaza, imposto desde 2007 quando o grupo Hamas passou a controlar o território.

Funeral

Milhares de pessoas compareceram nesta quinta-feira em Istambul, na Turquia, aos funerais dos nove ativistas mortos na ação israelense. A multidão seguiu à Mesquita de Fatih para o evento, no qual os caixões foram cobertos com as bandeiras turca e palestina.

A Turquia, um dos maiores aliados israelenses entre os países muçulmanos, retirou seu embaixador de Tel Aviv após o incidente. O presidente turco, Abdullah Gul, disse que a relação entre os dois países "nunca mais será a mesma".

Também nesta quinta-feira, cerca de 450 ativistas detidos por Israel na frota de ajuda humanitária - entre eles a cineasta brasileira Iara Lee - chegaram a Istambul, onde foram recebidos como heróis por uma multidão liderada pelo vice-primeiro-ministro turco, Bulent Arinc.

Ajuda

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, rejeitou as críticas à ação militar, que chamou de "hipocrisia internacional". Segundo ele, os soldados foram recebidos por uma "multidão cruel" e agiram para se defender.

Cerca de 700 ativistas - entre eles 400 turcos - estavam a bordo das embarcações que tentavam furar o bloqueio e transportar dez toneladas de ajuda humanitária.

nullIsrael rejeita as alegações de que Gaza, cujas fronteiras estão fechadas desde que o grupo Hamas assumiu o poder em 2007, esteja passando por uma crise humanitária.

Após dizer inicialmente que permitiria a entrada em Gaza do material que os seis navios transportavam, Israel voltou atrás e afirmou que nem toda a ajuda será levada ao território palestino.

O governo israelense diz temer que parte do material, como cimento e metal, possa ser usado pelo Hamas para fins militares. O correspondente da BBC em Gaza Jon Donnison afirma que tanto o Hamas como Israel parecem estar usando o tema para fins políticos.

"As razões israelenses para não permitir a entrada de algumas mercadorias não são claras. Canela pode, mas coentro e geleia não", diz ele. Já o Hamas disse que aceita a ajuda apenas se ela chegar integralmente ao território palestino.

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