Israel irá indiciar militares por violência na Faixa de Gaza

Ofensiva israelense na Faixa de Gaza no início de 2009 deixou mais de 1,3 mil palestinos mortos

BBC Brasil |

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Promotores da Justiça Militar de Israel anunciaram nesta terça-feira que vários militares, alguns deles oficiais de altas patentes, serão indiciados por suas ações durante a ofensiva militar contra a Faixa de Gaza entre 2008 e 2009.

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Fumaça é vista em território da Faixa de Gaza após ataque da Força Aérea de Israel em 2 de janeiro de 2009

Entre os ameaçados de enfrentar processo está um militar suspeito pelo suposto homicídio culposo de duas mulheres palestinas desarmadas e que acenavam uma bandeira branca quando foram atingidas, de acordo com uma testemunha.

De acordo com o correspondente da BBC em Jerusalém Wyre Davies, a ofensiva israelense na Faixa de Gaza, que começou no final de 2008, ficou famosa pelo fato de que, segundo a ONU, mais de 1,3 mil palestinos foram mortos, em comparação com apenas menos de 20 israelenses.

Israel afirmou que suas ações, que incluíram bombardeios de áreas habitadas, foram justificadas pois tentavam paralisar as atividades de militantes, que disparavam foguetes da Faixa de Gaza para Israel.

A campanha militar foi criticada internacionalmente, e um relatório endossado pela ONU, o chamado Relatório Goldstone, acusou Israel de uso desproporcional da força, uma conclusão rejeitada pelo governo de Israel.

'Conexões suficientes'

Na declaração desta terça-feira, o Exército afirmou que o incidente no qual o soldado israelense supostamente disparou contra as palestinas desarmadas se assemelha a um caso descrito no Relatório Goldstone.

Mas acrescentou que foi "impossível" estabelecer "conexões suficientes" entre o depoimento de uma testemunha palestina e o testemunho dado pelos soldados israelenses.

"Depois de receber os depoimentos, o Advogado Geral Militar ordenou que um sargento seja indiciado sob acusação de homicídio culposo pela Justiça Militar", informou o Exército Israelense.

"Esta decisão é baseada em provas de que o soldado, que estava servindo como atirador, deliberadamente atingiu um indivíduo andando com um grupo de pessoas que agitavam uma bandeira branca, sem receber ordens ou autorização para fazer isso", acrescentou a declaração do Exército.

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