Israel inicia construção de barreira na fronteira com Egito

Muro de 240 quilômetros tem objetivo de impedir entrada de refugiados e imigrantes ilegais africanos

BBC Brasil |

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O governo israelense inicia nesta segunda-feira a construção de uma barreira de 240 quilômetros na fronteira com o Egito para impedir a entrada de refugiados e imigrantes ilegais africanos. Dezenas de tratores deverão começar os trabalhos de terraplenagem na fronteira entre Israel e o Deserto do Sinai para possibilitar a construção da barreira.

A barreira, que deverá custar US$ 360 milhões (cerca de R$ 640 milhões), inclui uma cerca elétrica e sistemas avançados de monitoramento de fronteira, como sensores e câmeras de vídeo. O objetivo do governo israelense é impedir que refugiados de países africanos em conflito, especialmente do Sudão e da Eritreia, entrem no país.

De acordo com a imprensa local, milhares de africanos entram no território israelense a cada mês e parte deles pede asilo político.

O primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, afirmou que o país está sofrendo uma “inundação” de imigrantes ilegais que vêm da África pelo Sinai e declarou que a construção da barreira é "obrigação e responsabilidade do governo, para defender o Estado de Israel". O governo israelense tomou a decisão de construir a barreira em março e instruiu o Ministério da Defesa a executar o projeto. De acordo com as estimativas do Ministério da Defesa, o projeto deverá ser concluído dentro de dois anos.

Refugiados

Segundo as avaliações do governo israelense, dezenas de milhares de africanos já se encontram no país. Os imigrantes africanos se concentram principalmente nas cidades de Tel Aviv, que é o principal centro econômico de Israel, e Eilat, que fica no sul, perto da fronteira com o Egito.

Diferentemente dos imigrantes ilegais, os refugiados podiam trabalhar em Israel, mas na semana passada o Ministério do Interior passou a incluir uma cláusula nos seus vistos, proibindo-os de trabalhar no país. De acordo com ONGs de defesa dos direitos humanos, nos últimos dias muitos refugiados perderam seus trabalhos, pois os empregadores temem as altas multas que poderão pagar após a proibição.

O Centro de Apoio aos Trabalhadores Estrangeiros enviou uma carta de protesto a Yossi Edelstein, diretor do departamento de Imigração.

Na mensagem o centro diz temer que "o Ministério do Interior tenha resolvido usar a fome para conter o aumento do número de pessoas que pedem asilo... Trata-se de uma cláusula nova que foi introduzida (nos vistos) sem aviso prévio".

A ONG Anistia Internacional disse que a proibição de trabalho para os refugiados "gerou uma ampla onda de demissões por empregadores israelenses que não querem violar a lei".

"É claro que essa decisão significa a negação de fontes de sustento de milhares de pessoas e pode causar uma crise humana sem precedentes nas ruas de Tel Aviv e Eilat", acrescentou a ONG.

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