Israel diz que acordo é possível e palestinos pedem ação

Hillary Clinton anuncia que as negociações diretas entre israelenses e palestinos devem ser retomadas em 2 de setembro

BBC Brasil |

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Após o anúncio da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de que as negociações diretas entre israelenses e palestinos devem ser retomadas no próximo dia 2 de setembro , o governo de Israel afirmou que um acordo é possível, "embora difícil", enquanto o principal negociador palestino disse que é hora de "transformar palavras em ações".

O grupo militante palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, por sua vez, condenou a iniciativa, classificando-a como uma tentativa de "enganar o povo e a comunidade internacional".

Por meio de um comunicado divulgado nesta sexta-feira, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, expressou "satisfação" com anúncio e afirmou que irá a Washington com uma "vontade verdadeira de alcançar a paz".

AP
Hillary Clinton anuncia negociações diretas ao lado do enviado especial dos EUA para Oriente Médio, George Mitchell
O premiê israelense destacou principalmente o fato de que, segundo o anúncio americano, as negociações serão sem pré-condições. De acordo com o comunicado de Netanyahu, Israel espera alcançar a paz com os palestinos "resguardando seus interesses nacionais, principalmente a segurança".

"Alcançar um acordo é um desafio difícil, mas possível. Nós iremos para as negociações com um desejo genuíno de alcançar um acordo de paz entre os dois povos que possa proteger os interesses nacionais de Israel, principalmente a segurança", disse Netanyahu.

Palestinos

Já a Autoridade Palestina, que durante o último ano vinha colocando algumas condições para a retomada das negociações diretas com Israel, reagiu de maneira mais reticente.

Sem mencionar diretamente o anúncio de Hillary Clinton, o principal negociador palestino, Saeb Erekat, preferiu reagir apenas ao comunicado divulgado também nesta sexta-feira pelo Quarteto, grupo formado por EUA, União Europeia, Rússia e Nações Unidas, e que também deve participar das negociações em Washington.

No documento, o Quarteto endossou a retomada das negociações, mas também reiterou suas declarações anteriores, nas quais mencionava condições como o princípio do retorno de Israel às fronteiras de 1967 e o congelamento da construção dos assentamentos judaicos.

Erekat afirmou que o anúncio do Quarteto "inclui elementos necessários para alcançar um acordo de paz", mas que "não tem uma reação imediata" ao anúncio de Clinton.

"É tempo de traduzir essas palavras em ações. Nós queremos ver se dentro de um ano, negociações em vários temas importantes, como Jerusalém, fronteiras, assentamentos, refugiados, prisioneiros, e outros especificados nos comunicados do Quarteto, serão feitas".

Em entrevista à BBC, Erekat afirmou, no entanto, que espera alcançar a paz. "Eles (Israel) agora têm que escolher entre os assentamentos e a paz. Eu espero que eles escolham a paz. Espero que Netanyahu seja nosso parceiro na paz", disse.

Hamas

As negociações entre israelenses e palestinos foram interrompidas durante a gestão do ex-premiê de Israel, Ehud Olmert, depois do início da ofensiva israelense à Faixa de Gaza, em dezembro de 2008.

Desde então o presidente palestino, Mahmoud Abbas, vem afirmando que só voltará à mesa de negociação se as conversas forem retomadas "do ponto em que chegaram com Olmert" e se Israel congelar totalmente a construção dos assentamentos, inclusive em Jerusalém Oriental.

No entanto, o primeiro ministro Netanyahu rejeitou as condições de Abbas. O grupo islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, condenou em termos duros a nova iniciativa americana. "Rejeitamos o comunicado do Quarteto e o anúncio do governo americano sobre a retomada das negociações entre israelenses e palestinos", declarou o porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, Sami Abu Zuhri.

"Consideramos o convite e as promessas dos americanos mais uma tentativa de enganar o povo palestino e a comunidade internacional", acrescentou.

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