Israel deve suspender bloqueio a Gaza, diz secretário-geral da ONU

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, exigiu nesta quarta-feira que Israel suspenda imediatamente seu bloqueio à Faixa de Gaza, que já dura três anos. A declaração de Ban Ki-moon foi feita em resposta ao ataque de segunda-feira, no qual forças do país mataram nove ativistas em águas internacionais em barcos que tentavam furar o bloqueio a Gaza, levando ajuda humanitária aos palestinos.

BBC Brasil |

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"Esta tragédia apenas destaca um problema grave: o longo fechamento imposto à Faixa de Gaza é contraproducente, insustentável e errado. Pune civis inocentes. Deve ser suspenso pelas autoridades israelenses", afirmou. No começo da semana o Conselho de Segurança da ONU pediu uma investigação imparcial do incidente, que gerou condenação internacional a Israel. No entanto, Israel e os Estados Unidos afirmam que esta investigação deve ser liderada por Israel ao invés da investigação internacional que muitos outros países exigem. De acordo com a correspondente da BBC na ONU Barbara Plett, Ban Ki-moon passou a maior parte do dia consultando membros do Conselho de Segurança , além de representantes da Turquia e Israel. O secretário-geral da ONU afirmou que está buscando denominadores comuns para que a investigação seja confiável, imparcial e apoiada por todos os lados. No entanto, ele afirma que para conseguir isto, será necessário mais tempo. "Preciso fazer mais consultas. Sei que isto deveria ocorrer rapidamente, mas é (uma questão) delicada e até difícil", afirmou. Investigação internacional Israel insiste em fazer sua própria investigação e, neste ponto, conta com o apoio de um aliado poderoso, os Estados Unidos. Entretanto, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, sugeriu a possibilidade de incluir a participação internacional na investigação. Segundo Plett, alguns países membros do conselho, principalmente a Turquia, insistem na investigação internacional. O ministro do Exterior turco, Ahmet Davutoglu, já rejeitou a credibilidade de um inquérito que venha a ser conduzido por Israel, que ele chamou de um "Estado com status criminoso". Pelo menos quatro turcos morreram durante a ação israelense. A Turquia é uma exceção entre os países muçulmanos por ter reconhecido o Estado de Israel desde a sua criação, em 1948, e mantido fortes laços comerciais com o país desde então. Nesta quarta-feira, o Parlamento da Turquia aprovou uma resolução que pede que o governo submeta a uma revisão todos os laços militares e econômicos entre Ancara e Tel Aviv. Deportados Centenas de ativistas estrangeiros que haviam sido detidos durante a ação foram liberados por Israel e alguns deles já chegaram a Turquia. Depois de horas de atraso em Israel, o primeiro avião chegou ao aeroporto de Istambul, onde foi recebido por uma multidão. Ativistas feridos foram levados para Ancara. As autoridades israelenses afirmaram ter decidido não processar nenhum dos ativistas estrangeiros, mas alguns árabes israelenses que estavam nos barcos continuam detidos e podem enfrentar ações judiciais. Segundo as autoridades israelenses, havia 682 pessoas de 42 países diferentes nos seis barcos interceptados na segunda-feira, numa operação em que nove pessoas morreram. Na manhã de quarta-feira, 123 ativistas já haviam sido transportados por Israel até a fronteira com a Jordânia, onde foram libertados. Brasileira Além da Turquia os ativistas também foram levados para Grécia. A cineasta brasileira Iara Lee, que estava em um dos barcos, também foi transportada em um voo militar de Israel para Istambul nesta quarta-feira De acordo com o Itamaraty, ela seria recebida em Istambul pelo Cônsul-Geral do Brasil na cidade, Michael Gepp, que a ajudaria a viajar de volta para o Brasil ou para os Estados Unidos, dependendo da escolha da cineasta. Na terça-feira, o Itamaraty havia protestado contra a exigência, por parte das autoridades israelenses, de que os ativistas assinassem um documento reconhecendo terem invadido ilegalmente o país. 'Hipocrisia' O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, disse nesta quarta-feira que Israel manterá o bloqueio à Faixa de Gaza e que as críticas ao ataque de segunda-feira são "hipocrisia". "Mais uma vez, Israel enfrenta hipocrisia e um julgamento apressado e parcial", disse ele em pronunciamento à TV. Netanyahu disse que os militares israelenses "não tinham opção" a não ser impedir a chegada dos barcos que tentavam furar o bloqueio a Gaza, levando ajuda humanitária aos palestinos. "Não eram barcos do amor, eram barcos do ódio." O premiê disse que Israel deve manter o bloqueio, controlando tudo o que entra no território palestino, para evitar que Gaza se transforme em um "porto iraniano no Mediterrâneo".

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