Anúncio ocorre em meio a atividades que aparentemente mostram boa vontade de Israel antes de encontro entre Netanyahu e Obama

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O governo de Israel anunciou nesta segunda-feira novos detalhes de seu plano de relaxamento do bloqueio à Faixa de Gaza, divulgando listas de produtos cuja entrada no território palestino continuará proibida ou será permitida sob supervisão israelense.

De acordo com o governo de Israel, produtos que não estejam nas listas, como por exemplo aparelhos eletrônicos, terão sua entrada liberada.

Até agora, apenas certos alimentos e remédios básicos podiam ingressar livremente no território. A Faixa de Gaza, controlada pelo grupo palestino Hamas, é alvo de um bloqueio israelense desde 2007.

A divulgação das listas acontece três semanas após a decisão de relaxar as medidas contra Gaza ter sido anunciada pelo governo do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

Material de construção

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores de Israel, a entrada de armamentos e munição em Gaza continuará proibida "em todas as circunstâncias". Itens que podem ter uso civil e militar - como produtos químicos, equipamentos de mergulho e certos metais, por exemplo - também continuarão com sua entrada bloqueada.

O governo de Israel também passará a permitir a entrada de materiais de construção até agora proibidos. Esses materiais, no entanto, devem ser usados em projetos autorizados pela Autoridade Palestina e que tenham supervisão da comunidade internacional.

"Embora esses itens possam ser usados pelo Hamas para propósitos militares (como a construção de bunkers, posições fortificadas e túneis), Israel vai permitir sua entrada em Gaza para facilitar projetos de construção autorizados pela Autoridade Palestina e implementados e monitorados pela comunidade internacional", diz um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores.

Entre os materiais de construção com entrada liberada sob supervisão israelense estão cimento, cal, concreto, peças de aço e ferro e cabos.

Sem surpresas

Ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak (à esq.), cumprimenta premiê palestino Salam Fayyad antes dos dois se reunirem em Jerusalém
AP
Ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak (à esq.), cumprimenta premiê palestino Salam Fayyad antes dos dois se reunirem em Jerusalém
No final de maio, um ataque israelense a uma embarcação que levava ajuda a Gaza que deixou nove ativistas turcos mortos suscitou condenação de boa parte da comunidade internacional e aumentou a pressão para que o país mudasse sua política em relação ao território. Também nesta segunda-feira, o governo turco ameaçou cortar relações com Israel caso o país se recuse a pedir desculpas ou a permitir uma investigação independente sobre o ataque à frota.

De acordo com Jon Donnison, repórter da BBC em Gaza, o anúncio israelense desta segunda-feira não traz maiores surpresas, mas é feito na véspera de uma viagem do premiê Binyamin Netanyahu a Washington. Netanyahu se encontrará com o presidente americano, Barack Obama, que tem insistido para que Israel suspenda o bloqueio ao território.

Donnison afirma ainda que uma das medidas que mais afetam a população de Gaza, o bloqueio à circulação de pessoas, deve continua em vigor. Segundo o repórter da BBC, é extremamente difícil conseguir autorização israelense para sair do território.

Também nesta segunda-feira, o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, reuniu-se com o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, no primeiro encontro de alto nível entre as duas partes desde que o governo dos EUA começou a mediar negociações indiretas entre israelenses e palestinos. Os dois discutiram o bloqueio a Gaza e a atuação de forças de segurança palestinas na Cisjordânia, que é controlada pelo grupo Fatah.

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