Israel detalha plano de relaxamento de bloqueio a Gaza

Apenas a entrada de material bélico não será permita, segundo o governo israelense. Uma lista de itens será publicada

BBC Brasil |

selo

O governo de Israel divulgou neste domingo detalhes de um plano de relaxamento do bloqueio imposto à Faixa de Gaza, depois de sofrer uma grande pressão internacional para mudar sua política em relação ao território palestino controlado pelo grupo militante Hamas. O plano de relaxamento do bloqueio, em vigor desde 2007, quando o Hamas passou a controlar o território, já havia sido anunciado na semana passada, mas os detalhes de seu funcionamento só foram divulgados após uma reunião do gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu neste domingo.

A nova política, que deve permitir a entrada de produtos de uso civil no território palestino, é anunciada três semanas após um ataque israelense a uma embarcação que levava ajuda a Gaza ter deixado nove ativistas turcos mortos, suscitando condenação de boa parte da comunidade internacional.

De acordo com um comunicado divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro, o governo de Israel deve publicar uma lista com itens cuja entrada em Gaza não será permitida. Segundo o governo, esta lista se limitará a armas e material bélico. Todos os outros itens terão sua entrada liberada.

"Na busca por manter armas e material bélico fora de Gaza ao mesmo tempo em que implementa um sistema pelo qual produtos de uso civil entrem em Gaza, o governo de Israel decidiu colocar em prática estes passos da maneira mais rápida possível", diz o comunicado divulgado pelo gabinete de Netanyahu.

Segurança

Ainda de acordo com o governo israelense, o fluxo de material de construção ao território palestino será expandido para seu uso em projeto aprovados pela Autoridade Palestina e que estejam sob a supervisão das Nações Unidas.

Até agora, Israel vinha bloqueando a entrada de materiais como cimento e aço em Gaza, alegando que o Hamas poderia usá-los para construir armas e fortalezas.

Além disso, o governo de Israel promete "simplificar a política de permissão de entrada e saída de pessoas de Gaza por razões humanitárias e médicas e de funcionários de organizações internacionais de ajuda reconhecidas pelo governo".

Apesar das novas medidas, o governo de Israel afirmou que o atual regime de segurança em Gaza será mantido. "Israel reitera que, juntamente com os Estados Unidos, a União Europeia e outros (países), considera o Hamas uma organização terrorista." "O Hamas tomou o controle de Gaza e a transformou em um território hostil de onde prepara e lança ataques contra Israel e seus cidadãos", diz o comunicado.

Reação

As mudanças nos termos do bloqueio a Gaza haviam sido propostas pelo enviado internacional para a paz no Oriente Médio Tony Blair.

Em entrevista a BBC após o anúncio, ele afirmou que o Hamas pode se tornar parte do processo de paz se concordar em libertar o soldado israelense Gilad Shalit - capturado pelo grupo há quatro anos - e diminuir a violência.

"Minha preocupação é com a melhora da qualidade de vida das pessoas em Gaza. Eu acho que temos uma chance muito melhor de paz", disse.

Por meio de um comunicado divulgado pela Casa Branca, o governo dos Estados Unidos afirmou que o anúncio israelense é "bem vindo e responde aos pedidos da comunidade internacional".

"Uma vez colocadas em prática, nós acreditamos que estas medidas vão melhorar de modo significativo as condições para os palestinos em Gaza, ao mesmo tempo em que evitam a entrada de armas(...). Ainda há mais a ser feito", diz a nota, que afirma também que o presidente dos EUA, Barack Obama, irá discutir as novas medidas com o premiê israelense durante encontro em 6 de julho.

Ainda não houve reação oficial palestina sobre a nova política, mas alguns grupos já haviam classificado o plano na semana passada como um "gesto sem sentido". Grupos palestinos defendem o fim completo do bloqueio.

    Leia tudo sobre: IsraelFaixa de Gazabloqueio

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG