Irã se queixará na ONU contra nova política nuclear dos EUA

O Irã anunciou neste domingo que apresentará formalmente uma queixa à Organização das Nações Unidas contra a nova política nuclear dos Estados Unidos anunciada na semana passada pelo presidente americano, Barack Obama. De acordo com a argumentação iraniana, as mudanças deixam implícita uma ameaça de uso de força nuclear contra o Irã.

BBC Brasil |

A diretriz americana estabelece que os Estados Unidos não usarão armas nucleares contra países que não detêm essa tecnologia e cumprem com tratados internacionais. Analistas apontam que, dessa forma, a norma permite excetuar nações que supostamente não estão cumprindo com esses requisitos, como o Irã e a Coréia do Norte.

O Irã nega que esteja enriquecendo urânio para fabricar armas nucleares, mas países ocidentais, com os Estados Unidos à cabeça, questionam a veracidade das informações prestadas por Teerã.

Reuters
Irã
Ahmadinejad ao anunciar uma nova geração de centrífugas nucleares

Novo plano

Quando anunciado, o plano americano foi recebido como uma iniciativa de restringir o uso de força nuclear, porque reduz as situações de "circunstância extrema" nas quais o país pode fazer uso dessa capacidade.

"Estamos recalibrando nossas prioridades para prevenir a proliferação nuclear e o terrorismo nuclear", disse, ao anunciar a estratégia, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton.

As novas determinações, porém, não se aplicam a países que "violarem as regras". O Irã e a Coreia do Norte foram expressamente citados no documento.

"A postura (do Irã e da Coreia do Norte) continuamente desafiadora das normas e acordos internacionais vai levar somente ao seu maior isolamento e ao aumento da pressão internacional", diz o documento.

O relatório cita ainda preocupações com a "falta de transparência" da China em relação a seu programa nuclear.

A China é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e até o momento tem sido contrária à imposição de novas sanções contra o Irã.

O tema será debatido em uma cúpula com representantes de 47 países a partir da segunda-feira em Washington. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará entre os líderes que participarão da conferência.

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