Irã rebate críticas e diz ser Estado democrático

O secretário-geral para o Alto Conselho de Direitos Humanos do Irã, Mohammad Javad Larijani, rebateu as críticas feitas nesta segunda-feira sobre a situação dos direitos humanos do país em um painel da ONU em Genebra, na Suíça.

BBC Brasil |


"O Irã está se tornando um dos Estados democráticos predominantes na região", disse Larijani durante uma reunião de revisão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

As declarações foram uma reposta às críticas feitas por representantes da Grã-Bretanha, Estados Unidos, França e outros países ocidentais sobre os relatos de mortes, prisões e tortura que estariam ocorrendo desde as polêmicas eleições do ano passado.

O embaixador francês no Conselho da ONU, Jean Baptiste Mattei, afirmou que Teerã estaria praticando uma "repressão sangrenta" contra a população que luta por seus direitos. Baptiste recomendou que o governo iraniano aceitasse a criação de um inquérito independente e internacional sobre a situação no país.

O representante iraniano, no entanto, afirmou que Teerã está cumprindo com todos os compromissos internacionais sobre os direitos humanos e acusou as nações ocidentais de usar a questão como "ferramenta política" para pressionar o país.

A disputada reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 12 de junho de 2009, desencadeou uma das piores crises políticas do Irã. Alegando fraude, os oposicionistas foram às ruas nos maiores protestos registrados desde a Revolução Islâmica de 1979. Desde os protestos, milhares foram presos e dezenas de manifestantes morreram.

'Ditadura militar'

Mais cedo, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, fez uma palestra no Catar, onde afirmou que o Irã está se tornando uma ditadura militar.

AP
Hillary Clinton
Hillary Clinton
Segundo Clinton, a Guarda Revolucionária no Irã parece ter conquistado tanto poder que, na prática, estaria suplantando o governo.

Na palestra no campus Carnegie Mellon, a representante americana negou ainda que seu país tenha planos de atacar o Irã por causa do programa nuclear iraniano, ressaltando que os Estados Unidos desejam tentar unir a comunidade internacional para pressionar o Irã através de sanções.

Hillary Clinton está fazendo um giro pelo Golfo Pérsico como parte de uma ofensiva diplomática para que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprove a imposição de uma quarta rodada de sanções contra Teerã.

Nesta segunda-feira ela segue para a Arábia Saudita. Representantes do governo americano acreditam que os sauditas, aliados da China, podem ter um papel crucial para convencer Pequim a apoiar novas sanções contra o Irã.

Segundo assessores da secretária, ela deverá pedir às autoridades sauditas que garantam à China que fornecerão petróleo ao país em caso de escassez caso sejam impostas sanções aprovadas pelas Nações Unidas ao Irã, disseram assessores da secretária.

Hillary Clinton deverá se reunir com o rei Abdullah e com o Ministro do Exterior, príncipe Saud al-Faisal, durante esta sua primeira visita à Arábia Saudita.

Programa nuclear

No domingo, Clinton afirmou no Catar que existem provas de que o Irã está tentando construir uma bomba nuclear e pediu que o país "reconsidere suas decisões políticas perigosas".

Em um pronunciamento durante o fórum Estados Unidos-Mundo Islâmico, que está sendo realizado em Doha, Clinton acrescentou que os Estados Unidos gostariam de retomar as relações de modo pacífico com o Irã, mas que isto não acontecerá "enquanto eles continuarem construindo sua bomba".

"Eu gostaria de descobrir uma maneira de lidar com isto do modo mais pacífico possível, e certamente qualquer compromisso relevante (por parte do Irã) seria bem-vindo, mas...não queremos compromissos enquanto eles estiverem construindo sua bomba", disse.

O governo iraniano afirma que seu programa de enriquecimento de urânio tem objetivos pacíficos, como a geração de eletricidade e o uso medicinal da energia nuclear. As potências ocidentais, no entanto, acreditam que o real objetivo seja a construção de armamentos.

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