Irã pode contribuir para solução pacífica na questão palestina, diz Garcia

O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse neste domingo, ao chegar a Jerusalém, que não apenas um diálogo com o Irã ainda é possível como também o país de Mahmoud Ahmadinejad pode assumir um papel de mediador na questão palestina. Achamos que se o Irã ficar isolado, vai ser pior.

BBC Brasil |

Nós já temos outras experiências muito infrutíferas de tentativa de isolamento e bloqueio. A única coisa que isso pode trazer é consolidar uma posição ainda mais dura dos iranianos", disse Garcia ao chegar a Jerusalém com comitiva presidencial.

"Em primeiro lugar, queremos que o Irã se subordine às determinaçoes da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), portanto, que renuncie a qualquer pretensão de programa nuclear para fins militares. Em segundo lugar, queremos que o Irã possa contribuir para uma solução pacífica na questão palestina. O Irã tem meios para fazer isso, tem influência, tem peso. Esse vai ser nosso esforço", acrescentou Garcia.

O Irã não apenas apoia politicamente o Hamas como também financia e fornece armas para a organização que tem o controle sobre a Faixa de Gaza e se opõe aos acordos de paz com Israel assinados pelos moderados do Fatah.

Possível mediador?
Garcia disse ainda que, sem união, os palestinos têm poucas chances de progresso.

"A primeira coisa que o lado palestino tem de fazer é unir-se. Não é fácil, mas pior será se não tiver uma posição coesa. Sem isso, qualquer esforço estará fadado ao fracasso", afirmou Garcia, que considera o Irã um possível mediador na reconciliação interna entre as facções palestinas.

Já para os anfitriões israelenses de Lula, com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, o caminho do diálogo não funciona, sanções "paralisantes" poderão talvez impedi-lo de desenvolver armas atômicas e, caso as sanções não forem eficazes, Israel já deixou claro que "todas as opções estão na mesa".

Jack Terpins, presidente do Congresso Judaico Latino-americano (CJL), que está acompanhando a visita, se mostrou reticente sobre a posição do Brasil em defesa do diálogo com o Irã, mas também mencionou que esse diálogo pode vir a ter resultados "positivos".

"A grande esperança talvez seja o Brasil tomar uma atitude de pacificação entre o Irã e o resto mundo", disse Terpins à BBC Brasil, acrescentando que o país, hoje, tem condições de desempenhar esse papel.

Segundo a avaliação do embaixador brasileiro em Israel, Pedro Motta, as divergências profundas que existem entre Israel e o Brasil sobre a questão iraniana não deverão gerar qualquer tipo de hostilidade contra o presidente Lula durante a visita.

"Tenho certeza que Lula será muito bem recebido aqui", disse Motta à BBC Brasil.

Nesta segunda-feira, o presidente Lula fará um discurso no Parlamento israelense, o Knesset, e deverá expor aos políticos israeleses a visão do Brasil tanto sobre o Irã quanto sobre a questão palestina.

A maioria no Parlamento, desde as eleições de fevereiro de 2009, é formada por partidos de direita, extrema-direita e ultra-ortodoxos que se opõem radicalmente as posições do governo brasileiro.

Leia mais sobre Oriente Médio

    Leia tudo sobre: irãoriente médio

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG