Irã deve dar garantias, diz Celso Amorim em Teerã

Em Teerã, chanceler brasileiro afirmou que Irã deve mostrar que seu programa nuclear não tem fins militares

BBC Brasil |

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, pediu nesta terça-feira ao Irã e à comunidade internacional "maior flexibilidade" na proposta de troca de combustível nuclear.

Em entrevista coletiva com o chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, o chefe da diplomacia brasileira sugeriu ao regime que dê os "primeiros passos para recuperar a confiança".

Segundo Amorim, o Irã deve garantir que seu programa nuclear não tem objetivos militares. Na última segunda-feira, o chanceler brasileiro insistiu que Brasília apoia o programa nuclear iraniano, desde que seja voltado para fins pacíficos, mas não comentou se o país apoiaria possíveis sanções internacionais contra o regime persa.

O ministro já havia anunciado há dois meses a vontade do Brasil de atuar como mediador do conflito, mas sem oferecer detalhes.

"O que queremos para o povo brasileiro é o que queremos para o povo iraniano, ou seja, a expansão das atividades nucleares pacíficas", disse Amorim, depois de se reunir também com o negociador nuclear iraniano na questão, Saeed Jalili.

Reuters
Celso Amorim e Manouchehr Mottaki conversam com jornalistas em Teerã

Tensão nuclear

Grande parte da comunidade internacional, sob a liderança dos Estados Unidos, acusa o regime dos aiatolás de ocultar, sob seu programa civil, outro de natureza clandestina e ambições bélicas, cujo objetivo seria adquirir um arsenal atômico, acusação rejeitada por Teerã.

A polêmica aumentou no final do ano passado, depois de o Irã rejeitar uma oferta dos EUA, Reino Unido e Rússia para enviar seu urânio enriquecido a 3,5% ao exterior e recuperá-lo depois enriquecido a 20%, nas condições que diz precisar para manter em operação um reator em Teerã.

Perante a falta de acordo, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ordenou o início do enriquecimento a 20%, apesar das advertências internacionais. Desde então, o governo americano busca aprovar uma nova rodada de sanções internacionais para tentar frear o polêmico programa nuclear iraniano.

Neste ano, o Brasil ssumiu uma das 15 cadeiras do Conselho de Segurança da ONU, órgão responsável pelas possíveis sanções ao regime iraniano. A esse respeito, o presidente do Parlamento iraniano voltou na segunda a culpar as grandes potências pela falta de acordo e insistiu que chegar a uma solução é "simples".

"Polemizar com dados irreais não terá efeito algum sobre a vontade do povo iraniano. As grandes potências tentam complicar esse assunto para favorecer assim seus próprios interesses políticos", criticou.

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