Irã convoca embaixador para protestar contra acusações de complô

País pede explicações a diplomata da Suíça que representa os EUA em Teerã, após acusação de suposto plano terrorista

BBC Brasil |

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O Irã convocou o embaixador da Suíça em Teerã, que representa os interesses dos Estados Unidos no país, para protestar contra acusações americanas sobre um suposto "complô" iraniano para assassinar o embaixador da Arábia Saudita em Washington.

O presidente do Parlamento do Irã, Ali Larijani, disse que as acusações seriam ''alegações fabricadas'' decorrentes do fato de que ''os Estados Unidos querem desviar a atenção dos problemas que eles enfrentam no Oriente Médio''.

Reuters
Mulheres iranianas passam por muro da antiga Embaixada dos EUA em Teerã, hoje pichado com críticas ao país

Representantes do governo americano pressionaram a comunidade internacional para impor novas sanções contra o Irã e aumentar o isolamento sofrido pelo país. Os americanos afirmam que a Guarda Revolucionária do Irã estaria envolvida na suposta trama.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, pediu que seja enviada "uma mensagem bastante dura" a Teerã. Os americanos afirmam que Teerã teria tramado o plano de assassinar o representante saudita, por meio de um atentado à bomba.

Irã x Arábia Saudita

O presidente do Parlamento iraniano disse que as acusação americanas são desculpas que visam ''impedir a onda de despertar islâmica'' e disse que as alegações são ''jogos infantis e amadorísticos'' e ''vulgares''. Larijani acrescentou ainda que as acusações seriam uma forma de prejudicar a relação entre Irã e Arábia Saudita.

O príncipe saudita Turki al-Faisal, ex-embaixador em Washington, disse que as provas levantadas pelos Estados Unidos são "esmagadoras" e "provam a responsabilidade de um oficial iraniano". "Alguém no Irã terá de pagar o preço'', afirmou.

Irã e Arábia Saudita são rivais cujos regimes seguem diferentes leituras do islamismo e disputam uma posição de liderança no Oriente Médio. Recentemente, O Irã protestou veementemente quando tropas sauditas foram para o Bahrein por conta dos protestos populares contra o governo do país.

O Bahrein tem uma população predominantemente islâmica xiita, como o Irã, mas, ao contrário deste, conta com uma elite política formada por muçulmanos sunitas, a mesma tendência religiosa dos xeques sauditas.

A Arábia Saudita e o Irã se opõem em diferentes frentes. Os sauditas estão entre os mais fortes aliados americanos na região e os iranianos não mantém relações diplomáticas com os americanos. Assim como os Estados Unidos, os sauditas temem as supostas ambições iranianas de desenvolver armas nucleares, mas Teerã afirma que seu programa nuclear tem fins meramente pacíficos.

Acusações

Dois iranianos, Gholam Shakuri e Manssor Arbabsiar, foram indiciados por sua suposta participação no plano e devem responder a diversas acusações, entre elas a de conspiração para assassinar um oficial estrangeiro, para usar uma arma de destruição em massa e para cometer atos de terrorismo internacional.

Segundo o procurador-geral americano, Eric Holder, o plano foi "concebido, patrocinado e conduzida pelo Irã" e constitui uma flagrante violação das leis americanas e internacionais, "incluindo a convenção que explicitamente protege diplomatas".

Um dos acusados, Gholam Shakuri, é membro da Força Quds, a unidade de elite responsável pelas operações internacionais da Guarda Revolucionária do Irã, e permanece foragido. Os Estados Unidos consideram a Força Quds suspeita de patrocinar ataques contra as forças da coalizão internacional no Iraque e de apoiar o Taleban e outras organizações consideradas terroristas pelo governo americano.

O outro acusado, Manssor Arbabsiar, tem dupla cidadania iraniana e americana e foi preso em 29 de setembro, no aeroporto internacional John F. Kennedy, em Nova York. De acordo com informações do Departamento de Justiça, Arbabsiar teria confessado sua participação no plano. Caso condenado, pode ser sentenciado à prisão perpétua.

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