IPCC vai aprender com as críticas

É o que afirmou o chefe do órgão, Rajendra Pachauri, em comissão da ONU aberta para revisar o trabalho do grupo

BBC Brasil |

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O chefe do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), Rajendra Pachauri, afirmou nesta sexta-feira que o organismo precisa aprender com as recentes críticas ao seu trabalho e modernizar suas ações.

Ainda assim, Pachauri afirma que as conclusões do relatório do IPCC de 2007 continuam sólidas, apesar do erro cometido em uma afirmação sobre o derretimento de geleiras do Himalaia.

As declarações de Pachauri foram feitas na sessão de abertura de uma comissão da Organização das Nações Unidas (ONU) para revisar o trabalho do IPCC.

Para ele, o órgão estava mal preparado para lidar com as recentes críticas dirigidas após a revelação dos erros contidos no relatório de 2007. "Temos que ouvir e aprender todo o tempo e evoluir de uma maneira que atenda as necessidades da sociedade por todo o mundo", afirmou Pachauri à comissão.

O IPCC admite ter incluído erroneamente no relatório a informação de que as geleiras do Himalaia poderiam desaparecer até 2035, em um erro creditado por Pachauri a uma falha humana.

Erro
"Nós não fomos capazes de dizer ao público: 'Sim, nós cometemos um erro, mas isso não altera o fato de que as geleiras estão derretendo'", afirmou. "Temos que reconhecer que as apostas são altas. Precisamos nos preparar para as críticas, e isso não é algo que tenhamos feito no passado", disse Pachauri.

Ele destacou ainda o aumento da complexidade do trabalho do IPCC desde sua criação. No período entre 1991 e 1995, segundo ele, havia cerca de 5 mil trabalhos científicos sobre o tema para analisar. Para o próximo relatório, que deve ser completado entre 2013 e 2014, Pachauri calcula em 60 mil o número de trabalhos a serem analisados.

Ele também defendeu o princípio de usar materiais que não foram publicados em revistas científicas, como o relatório da ONG WWF do qual a informação sobre o Himalaia havia sido retirada. "Há algumas ONGs de muito prestígio, que estão fazendo um trabalho acadêmico detalhado, e não se pode ignorar isso", disse.

Ele observa, porém, que as pessoas que trabalham na análise desse material devem seguir estritamente os procedimentos sobre quando e como usá-lo, mas que ocasionalmente, como no caso da informação sobre o Himalaia, falhas humanas podem aparecer.

Opiniões diferentes
Apesar de as declarações iniciais à comissão que iniciou seus trabalhos nesta sexta-feira em Amsterdã terem vindo todas de membros do IPCC e da ONU, Robbert Dijkgraaf, copresidente da ONG InterAcademy Council, que coordena uma revisão do trabalho do painel, diz que o órgão deverá receber diferentes opiniões nos próximos meses.

Durante uma reunião do conselho de administração do Programa de Meio Ambiente da ONU, em fevereiro, alguns membros afirmaram sentir que os erros cometidos pelo IPCC estariam prejudicando a reputação do órgão e, com isso, a reputação de suas conclusões, sobre as quais muitos governos estariam baseando suas políticas para o clima.

Por isso, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu ao InterAcademy Council para realizar a revisão do trabalho do IPCC. A ONG é independente da ONU e teria a capacidade de selecionar os maiores acadêmicos mundiais para ajuda no trabalho.

Roger Piekle Jr., professor de estudos ambientais na Universidade do Colorado e que pesquisou os custos prováveis de desastres naturais, permanece insatisfeito com a resposta do IPCC, e defende que a revisão precisa ouvir as vozes críticas para ter algum efeito prático. "O IPCC é corrigível. Na verdade, é importante que seja corrigido. As mudanças climáticas são uma questão importante, portanto os órgãos de assistência são igualmente importantes", afirma.

Para ele, uma revisão mal feita pode "prejudicar a instituição de maneira irreparável". Piekle Jr. também disse que a revisão deve analisar os conflitos de interesse dentro do IPCC, em referência às acusações sofridas por Pachauri por causa de seu trabalho externo de consultoria, apesar de que em março uma auditoria da KPMG concluiu que ele não cometeu irregularidades financeiras.

A comissão para revisão do trabalho do IPCC, formada por 12 pessoas, deve entregar suas conclusões até o final de agosto. As recomendações finais serão apresentadas ao IPCC em outubro, durante uma reunião com o objetivo de finalizar as estruturas e os procedimentos para o próximo relatório do painel.

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