Inverno aumenta número de ilegais mortos em fronteira entre EUA e México

O inverno chuvoso deste ano que afeta o Estado americano de Arizona foi apontado como uma das razões para o aumento no número de imigrantes ilegais mortos durante a travessia da fronteira entre o México e os Estados Unidos. O número de pessoas sem documentos encontradas mortas no sul do Arizona entre novembro e fevereiro quase dobrou em relação ao ano passado e as mortes entre imigrantes por hipotermia é maior do que o registrado nos últimos três anos combinados.

BBC Brasil |

Durante os últimos três meses choveu intensamente numa região que costuma ser desértica, e as rotas são perigosas. O risco para a saúde é maior para os imigrantes por causa das roupas úmidas contribuem para que o corpo perca calor.

"Como moradores do sul do Arizona e funcionários de agências humanitárias estamos alarmados com o aumento de mortes na fronteira", disse à BBC Mundo Sarah Launius, porta-voz da ONG No More Deaths (Mortes Nunca Mais).

"Só na semana passada, nossos voluntários descobriram o corpo de uma das pessoas que cruzam a fronteira, o que é muito comum na região", acrescentou Launius.

Sem precedentes
No condado de Pima, que pertence a Tucson, o número de mortes atribuídas à hipotermia nos últimos meses subiu para nove - no mesmo período entre 2008 e 2009 só foi encontrada uma pessoa morta por causa das baixas temperaturas, de acordo com dados do jornal americano Arizona Daily Star, que mantém uma contagem.

No condado adjacente, Cochise, foram achados três corpos. As autoridades locais atribuíram as mortes à exposição aos elementos, mas não puderam determinar se elas ocorreram durante os dias chuvosos do inverno.

Um total de 60 cadáveres foram encontrados na região de novembro até agora, em comparação a 38 achados de novembro de 2008 a fevereiro de 2009.

Dos 60 corpos, não se pode determinar a causa da morte de 32 por causa do avançado estado de decomposição, disse à BBC Mundo o Escritório Forense do Condado de Pima.

Recorde de chuvas
Entre 1º de janeiro e 15 de fevereiro a precipitação na área de Tucson foi cerca de 4,5 vezes maior do que o normal, disse à BBC Mundo Greg Mollere, do Serviço Nacional de Meteorologia.

Não chovia tanto em Tucson desde 1993.

"Estas pessoas são vulneráveis tanto ao frio quanto ao calor", disse o diretor do Escritório Forense de Pima, Bruce Parks. "Uma vez que se encontram lá, elas não têm opção de buscar abrigo ou trocar a roupa molhada."
Zona 'militarizada' O porta-voz da Patrulha de Fronteira em Tucson, David Jimarez, disse que incrementos no patrulhamento das fronteiras também contribuíram para que um número maior de cadáveres fosse encontrado em comparação a anos anteriores.

Segundo ele, a entidade aumentou esforços para proteger a divisa e conta agora com recursos tecnológicos "que permitem aos agentes chegar a lugares onde antes não podiam".

"E como estamos patrulhando estas áreas, estamos encontrando muito mais cadáveres", disse Jimarez.

Mas Sarah Launius, da No More Deaths, insistiu que "as mortes da fronteira são impulsionadas pela exposição aos elementos causada pela 'estratégia de dissuasão' que o governo dos Estados Unidos começou a adotar em meados dos anos 90".

A ativista disse que "esta estratégia militarizou o deserto e as serras em área remotas do sul do Arizona, o que aumentou a duração e a dificuldade da travessia, assim como a possibilidade de que um imigrante ilegal potencial sucumba ao calor ou frio".

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