Hillary reforça ceticismo sobre acordo com Irã

Enquanto Lula vê "99%" de chance de sucesso, secretária de Estado americana não acredita em mudança de postura dos iranianos

BBC Brasil |

AFP
William Hague e Hillary Clinton durante entrevista coletiva nesta sexta-feira
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, reafirmou nesta sexta-feira o ceticismo de seu país quanto à possibilidade de o Irã mudar a postura em relação a seu programa nuclear por meio do diálogo e disse que conversou sobre o tema com o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim.

"Eu disse a meus colegas em muitas capitais ao redor do mundo que acredito que nós não vamos obter nenhuma resposta séria dos iranianos até que o Conselho de Segurança aja", disse Hillary em Washington durante a visita do ministro do Exterior do novo governo britânico, William Hague. No encontro, os dois países reforçaram apoio à aplicação de novas sanções.

Hillary comentou a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Teerã, na qual busca costurar um acordo para evitar a imposição de novas sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) contra o Irã.

Nesta sexta-feira, Lula se reuniu em Moscou com o presidente russo, Dmitri Medvedev, e disse estar otimista e acreditar que as chances de um acordo com o governo iraniano em relação ao programa nuclear são de "99,9%". Mas Medvedev disse acreditar que as chances de um acordo "são de 30%".

Segundo Hillary, "o diálogo entre o presidente Lula e o presidente Medvedev em Moscou ilustra a dificuldade de se chegar a um acordo".

Última chance

Lula chega a Teerã na noite de sábado e se reúne com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, no domingo. Na quinta-feira, o governo americano já havia deixado transparecer que a viagem de Lula é a última chance de diálogo antes da aplicação de novas sanções para pressionar o Irã a interromper seu programa de enriquecimento de urânio.

Nesta sexta-feira, Medvedev reforçou essa ideia e disse que " se o Brasil não convencer o Irã , o Conselho de Segurança terá de seguir com as propostas do grupo dos seis", referindo-se ao chamado P5 + 1, que reúne Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França, China e Alemanha.

O governo americano já manifestou diversas vezes seu ceticismo quanto à possibilidade de um acordo e disse que Ahmadinejad está apenas tentando ganhar tempo ao dizer que poderia aceitar a mediação de Lula.

Pressa

Os Estados Unidos têm pressa em aprovar uma quarta rodada de sanções do Conselho de Segurança para pressionar o Irã a interromper seu programa e já disseram esperar uma resolução em breve. O argumento para as sanções é a suspeita de que o governo iraniano planeje secretamente desenvolver armas nucleares.

O governo iraniano nega as alegações. Teerã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos, com o objetivo de gerar energia, e se recusa a interromper o enriquecimento. O Brasil, que ocupa uma vaga rotativa no Conselho de Segurança, sem direito a veto, é contra as sanções e vem defendendo uma solução negociada para a questão.

Turquia

Ao lado do Brasil, a Turquia, outro membro temporário do Conselho de Segurança, também tenta costurar um acordo. Celso Amorim disse que Brasil e Turquia já têm elementos para um acordo, que teria como base uma proposta feita no ano passado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A proposta, apresentada em outubro passado, é de que o Irã envie seu urânio a outros países para ser enriquecido a níveis suficientes para uso medicinal, mas não militar. No entanto, exigências feitas pelo Irã, de que a troca ocorra em seu território e de maneira simultânea, têm impedido um acordo.

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