Haiti vê melhora no surto de cólera, mas ONU pede cautela

O Haiti não sofria um surto de cólera havia pelo menos 100 anos

BBC Brasil |

selo

O número de pessoas mortas no Haiti em decorrência de um surto de cólera parece estar diminuindo, com seis novas mortes tendo sido registradas nas últimas 24 horas, segundo o governo local.
Com isso, o ministério da Saúde calcula em 250 os óbitos provocados pela doença. Trezentos novos casos de infecções foram registrados, elevando o total a 3.342.

Apesar da melhora, agências humanitárias e a ONU continuam temerosas de que a doença possa se espalhar e têm intensificado os esforços de prevenção na capital Porto Príncipe. Enviado da ONU ao Haiti, Nigel Fisher disse à repórter da BBC Laura Trevelyan que, embora não haja sinais de que a doença proliferará pelo país, o Haiti deve se preparar para o caso de um surto nacional. A cólera é vista como uma séria ameaça aos 1,3 milhão de sobreviventes do terremoto de janeiro que vivem em acampamentos nos arredores da cidade.

Também há preocupação quanto aos moradores das favelas de Porto Príncipe, que correspondiam 80% da população da cidade antes do terremoto, segundo a ONU. Cinco casos de cólera foram detectados na capital no sábado, mas logo os pacientes foram isolados. Outros 20 casos estão sob investigação, segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras.

Ajuda brasileira

Em nota divulgada à imprensa, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o chanceler Celso Amorim promoveu nesta segunda-feira uma reunião para determinar formas de ajudar o Haiti a combater o surto de cólera. O ministério afirma que doará o equivalente a R$ 3,4 milhões para que o governo haitiano compre remédios e equipamentos para hospitais locais. Também diz que o Ministério da Saúde enviará ao país, nesta semana, dois médicos epidemiologistas, que ajudarão as autoridades sanitárias locais a montar estratégia de combate à doença.

Segundo a nota, o comandante militar da Minustah (missão militar da ONU liderada pelo Brasil), Luiz Guilherme Paul Cruz, e o enviado da ONU Nigel Fisher visitaram hoje as áreas mais afetadas pela doença a fim de avaliar a situação e elaborar um plano no caso de ela atingir Porto Príncipe.

Condições sanitárias inadequadas

O Haiti não sofre com um surto de cólera há 100 anos, e muitos moradores não sabem o que fazer para evitar a doença. Condições sanitárias inadequadas tornam os acampamentos e as favelas vulneráveis à cólera, causada por uma bactéria transmitida por água ou alimentos contaminados. A doença causa febre, diarreia e vômitos, levando à desidratação severa, e pode matar em 24 horas se não for tratada. Mas pode ser controlada facilmente por meio da reidratação e de antibióticos.

No domingo, o diretor geral do Departamento da Saúde do Haiti, Gabriel Thimote, já afirmara que o número de mortes e de pessoas hospitalizadas nas áreas mais críticas estava se reduzindo. "A tendência é que o quadro se estabilize, embora não sejamos capazes de dizer que já atingimos um pico", disse Thimote.

As localidades mais atingidas são Douin, Marchand Dessalines e arredores de Saint-Marc, a cerca de 100 quilômetros de Porto Príncipe. No entanto, vários casos foram registrados na cidade de Gonaives e em vilarejos próximos à capital, entre eles Archaei, Limbe e Mirebalais.

Sobreviventes do terremoto

Cerca de 1 milhão de sobreviventes do terremoto ocorrido em janeiro estão vivendo em barracas próximas à capital, sem saneamento básico e com acesso limitado a água potável. Acredita-se que o surto de cólera tenha sido provocado pelo consumo de água contaminada do rio Artibonite.

No sábado, o presidente haitiano, René Preval, disse que as autoridades estão tomando providências para que a doença não ultrapasse os limites do foco original. Agências humanitárias disseram, entretanto, que já haviam sido registrados casos da doença fora dessas regiões e que ela pode estar chegando à fronteira da República Dominicana.

    Leia tudo sobre: iGhaitisurtocólera

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG