Há elementos para acordo com Irã, diz Amorim

Segundo chanceler brasileiro, base do texto ainda é a proposta da AIEA que prevê o enriquecimento do urânio iraniano em outro país

BBC Brasil |

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Reuters
Presidente Lula desembarca em Moscou, na Rússia, para visita diplomática
O chanceler Celso Amorim disse nesta quinta-feira, durante uma visita a Moscou, que os governos de Brasil e Turquia já têm "elementos" para um possível acordo com o Irã sobre seu programa nuclear. "Ninguém pode ter certeza do que vai ocorrer, mas eu acho que temos os elementos presentes para conseguir um acordo", disse o ministro.

O assunto será discutido durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Teerã, neste fim de semana, logo após uma passagem pelo Catar. Amorim disse que a base de um acordo com Teerã continua sendo a proposta apresentada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), no final do ano passado, que prevê o enriquecimento do urânio iraniano em outro país.

Segundo ele, Brasil, Turquia e Irã estão procurando "fórmulas" que sejam satisfatórias para os dois lados e que eliminem "desconfianças". "Como se costuma dizer, o diabo mora nos detalhes", disse o ministro. "Não seriam variações, nem afastamentos daquela proposta, mas como fazer", acrescentou.

'Fórmulas'

De acordo com o ministro, as "fórmulas" que estão sendo discutidas com os iranianos deverão ainda garantir a presença dos inspetores da agência atômica no Irã. O chanceler disse ainda que um dos temas das conversas entre os três países é "vencer" o tema da troca de urânio com um outro países, que segundo ele se tornou um assunto "quase místico".

A proposta inicial da agência atômica sugeria que o Irã enviasse seu urânio para um outro país, que funcionaria como um depositário fiel. Em contrapartida, o Irã receberia combustível já pronto, elemento necessário para o funcionamento de equipamentos médicos. O acordo não foi conseguido quando Teerã exigiu que a troca ocorresse em seu território e de forma simultânea. Uma opção é de que o urânio seja depositado na Turquia, país com boas relações com Teerã.

Na avaliação de Amorim, "há maneiras" de se resolver esse impasse. "Eu acho que esta questão pode ser facilmente desmistificada", disse o ministro, mas sem entrar em detalhes. Segundo ele, o Brasil não está agindo "de forma isolada" nas negociações com Teerã, citando como exemplo a participação "intensa" da Turquia nesse processo. "Eu acho que é muito importante que seja uma acordo que possa ser aceitável pelo Brasil e pela Turquia", disse.

'Confiança'

Amorim disse que um acordo com os iranianos poderá "abrir um clima de confiança" entre o Irã e os países ocidentais "em diversos outros aspectos". "Esse acordo tem um valor próprio, mas o principal valor é o de criar clima de confiança para uma discussão mais ampla, sobre outros temas, nucleares e não-nucleares", disse o ministro.

Segundo ele, é preciso "garantir" que o Irã tenha o direito de desenvolver um programa nuclear pacífico, conforme previsto no Tratado de Não-Proliferação Nuclear. "A questão de você querer privar o direito do Irã a ter uso da energia nuclear pra fins pacíficos não vai funcionar", disse o ministro.

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